Um episódio envolvendo a contratação de um Papai Noel na região de Santiago reacendeu o debate sobre os efeitos da polarização política em manifestações culturais e comerciais. O caso, relatado em publicação do Blog Rafael Nemitz, aponta que clientes deixaram de contratar o profissional por associarem a cor vermelha do traje tradicional do personagem a posicionamentos políticos.
Segundo o relato, alguns clientes identificados como bolsonaristas teriam condicionado a contratação à mudança da cor da roupa, exigindo vestimentas que não fossem vermelhas e sugerindo, inclusive, o uso da cor azul, o que acabou inviabilizando a contratação.
“É cada doideira que parece até mentira, mas infelizmente não é”, escreveu Rafael Nemitz.
Situações semelhantes de reação política a símbolos culturais e campanhas publicitárias também foram registradas recentemente.
Um exemplo é a campanha publicitária da Havaianas estrelada pela atriz Fernanda Torres, que gerou polêmica entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro após a artista afirmar, no comercial, que não deseja que as pessoas entrem no novo ano “com o pé direito”, mas sim “com os dois pés”.
A fala foi alvo de críticas e pedidos de boicote nas redes sociais por parte de grupos bolsonaristas.
Episódios como esse são o reflexo de um cenário em que símbolos culturais, cores e até mensagens publicitárias passam a ser filtrados por disputas ideológicas, ampliando a polarização para além do campo político, alcançando o cotidiano e as tradições populares.



