A Justiça do Maranhão determinou a prisão do prefeito de Turilândia, José Paulo Dantas Silva Neto, conhecido como Paulo Curió (União Brasil), da vice-prefeita Tânia Mendes (PRD) e de todos os 11 vereadores do município, no âmbito da Operação Tântalo II, que investiga um esquema de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro responsável por um desvio superior a R$ 56 milhões dos cofres públicos.
A operação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), com apoio da Polícia Militar, e cumpriu 21 mandados de prisão e 51 mandados de busca e apreensão em dez cidades, incluindo Turilândia e São Luís. Ao menos 14 pessoas foram presas desde segunda-feira (22).
Entre os detidos estão seis vereadores, a vice-prefeita Tânia Mendes e um neurocirurgião acusado de atuar como agiota, emprestando dinheiro ao prefeito. Na residência do irmão do médico, os investigadores encontraram mais de R$ 2 milhões em espécie.
O prefeito Paulo Curió, que inicialmente era considerado foragido, se apresentou à polícia na quarta-feira (24), acompanhado da primeira-dama Eva Curió, da ex-vice-prefeita Janaína Lima (PRD), do marido dela Marlon Serrão e do contador da prefeitura Wandson Jhonathan Barros. Todos foram presos.
Segundo o Ministério Público, o esquema funcionava desde 2021 e envolvia empresas de fachada ligadas ao próprio prefeito e a aliados políticos. Um posto de combustível pertencente à ex-vice-prefeita Janaína Lima e ao marido teria sido usado para lavagem de dinheiro, com a prefeitura pagando por abastecimentos que não ocorreram. Os valores, de acordo com a investigação, retornavam ao prefeito.
A responsável pelos pregões eletrônicos do município, Clementina de Jesus Pinho, também presa, afirmou em depoimento que cerca de 95% das licitações eram fraudadas por determinação direta do prefeito. Segundo o promotor Fernando Berniz, ela admitiu que cometia as irregularidades em troca de “mimos” e vantagens indevidas.
Cinco vereadores seguem foragidos. A Justiça decidiu converter a prisão preventiva de outros seis vereadores em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, para evitar a paralisação da administração municipal.
Todos os agentes políticos investigados na Operação Tântalo II são filiados a partidos de direita, como União Brasil e PRD, legendas que controlam atualmente a Prefeitura e a Câmara Municipal de Turilândia.
Mesmo investigado, o presidente da Câmara Municipal, José Luís Araújo (União Brasil), assumirá interinamente a prefeitura, já que não foi afastado do cargo. O Ministério Público avalia a possibilidade de intervenção estadual no município.
De acordo com a decisão judicial, Paulo Curió era o líder da organização criminosa, atuando como ordenador de despesas, direcionador de licitações e destinatário da maior parte dos valores desviados, por meio da chamada “venda de notas fiscais”, sem prestação real de serviços.



