Após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes negar, nesta quinta-feira, 1º, um novo pedido de prisão domiciliar humanitária a Jair Bolsonaro, os filhos do ex-presidente usaram as redes sociais para atacar a decisão, com críticas diretas ao magistrado e acusações de “tortura”.
Carlos Bolsonaro afirmou que a negativa foi “cheia de sarcasmo” ao sustentar que o quadro clínico de Bolsonaro teria apresentado melhora. “O laudo médico é claro em apontar que ele precisa de cuidados permanentes que não podem ser garantidos numa prisão”, escreveu, ao mencionar ainda o risco de complicações graves de saúde.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também reagiu de forma contundente. “Até quando Moraes terá procuração para praticar a tortura?”, questionou, ao criticar o entendimento do ministro sobre a situação médica do ex-presidente. Flávio também se referiu a Moraes como “ser abjeto”.
Já o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) havia se manifestado dois dias antes da decisão, ao comentar o estado de saúde do pai e defender a necessidade de acompanhamento familiar. “O psicológico afeta o físico. O que Moraes quer não é proteger a democracia, é torturar Jair Bolsonaro”, declarou, acrescentando que, em sua avaliação, “esses abusos um dia serão responsabilizados”.
Michele Bolsonaro, por sua vez, não comentou a decisão de Moraes, mas afirmou recentemente que os últimos dias estão sendo difíceis e pediu orações ao ex-presidente.
Na decisão, Alexandre de Moraes afirmou que a defesa não apresentou fatos supervenientes capazes de alterar o entendimento adotado em 19 de dezembro, quando o pedido de prisão domiciliar humanitária já havia sido negado. O ministro ressaltou que permanecem válidos os fundamentos que justificam o cumprimento da pena em regime fechado.
Entre os pontos citados, Moraes voltou a destacar o risco de fuga, mencionando “reiterados descumprimentos de medidas cautelares” e “atos concretos visando a evasão”, incluindo a destruição dolosa de tornozeleira eletrônica, conforme registrado no processo.
Após receber alta médica, Jair Bolsonaro deverá retornar à Superintendência da Polícia Federal, onde cumpre pena após condenação por tentativa de golpe de Estado, conforme decisão do STF.



