Em meio à crise desencadeada após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, voltam a ganhar destaque as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a legitimidade das últimas eleições na Venezuela. O governo brasileiro não reconheceu o pleito de 2024, marcado por denúncias de fraude e pela não divulgação das atas eleitorais, e Lula foi explícito ao cobrar consequências ao líder venezuelano.
Em entrevista concedida à época, Lula afirmou que não aceitava os resultados proclamados por nenhum dos lados justamente pela falta de transparência. “Eu não aceito nem a vitória dele e nem a da oposição. Eu acho que tem um negócio, a oposição fala que ganhou, ele fala que ganhou, mas você não tem prova. Então, nós estamos exigindo a prova”, declarou o presidente brasileiro.
Lula também criticou o papel das instituições venezuelanas, controladas pelo chavismo, e ressaltou que não cabia ao Judiciário do país validar o resultado eleitoral sem a apresentação das atas. Segundo ele, a ausência desses documentos compromete qualquer reconhecimento internacional do pleito.
Ao endurecer o tom, o presidente deixou claro que a responsabilidade política caberia diretamente a Maduro. “O Maduro cuide de lá. Ele arque com as consequências do gesto dele. E eu arco com as consequências do meu gesto”, afirmou.
Em outra declaração, Lula reforçou que tentou manter o diálogo e ajudar o país vizinho, mas que havia limites. “Eu tenho consciência política de que eu tentei ajudar muito, mas muito e muito”, disse.
As falas marcaram um distanciamento do Brasil em relação ao governo venezuelano e alinharam o país a outras nações que também se recusaram a reconhecer a reeleição de Maduro. Desde então, o Brasil vem adotando uma posição mais crítica a Venezuela e Lula chegou a determinar pessoalmente que o Itamaraty bloqueasse a entrada da Venezuela nos Brics durante a cúpula dos líderes do bloco, realizada na outubro de 2024 em Kazan, na Rússia.
Recentemente, Lula tentou se colocar como um mediador de negociações entre Estados Unidos e Venezuela, temendo que possíveis ataques pudessem acirrar as disputas políticas na América Latina, mas Trump ignorou a sugestão.
Neste sábado (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os bombardeios em território venezuelano e a captura de Nicolás Maduro ultrapassam uma “linha inaceitável”, classificando a ofensiva como uma afronta direta à soberania da Venezuela e um precedente perigoso para a estabilidade e a ordem internacional.
Com os acontecimentos recentes, as advertências feitas por Lula sobre as consequências da falta de transparência eleitoral voltam ao centro do debate internacional, agora em um cenário de crise ainda mais profunda na Venezuela.



