Mandato de Cristian Wasem e do vice João Paulo Martins é cassado após sessão de 12 horas; acusações envolvem previdência municipal e contratações irregulares
A Câmara de Vereadores de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, aprovou nesta sexta-feira (3) a cassação do mandato do prefeito Cristian Wasem (MDB) e do vice-prefeito João Paulo Martins (Progressistas).
A decisão foi tomada após uma sessão que durou mais de 12 horas e teve como fundamento principal acusações de interferência no funcionamento do Legislativo e de irregularidades fiscais e administrativas na gestão municipal.
No caso do prefeito, o relatório final do processo de impeachment apontou que Wasem teria interferido na atuação da Câmara e cometido chamadas “pedaladas fiscais” no Instituto de Previdência do município, prática que consiste no uso indevido de recursos para mascarar desequilíbrios financeiros.
A cassação foi aprovada por 14 votos a favor e três contrários. Já o vice-prefeito foi afastado por 13 votos a quatro, sob a acusação de contratação emergencial irregular e suspeitas de infrações cometidas durante período em que exerceu interinamente o cargo de prefeito. Com a decisão, ambos se tornam inelegíveis pelos próximos oito anos.
O prefeito deixou o plenário antes da divulgação oficial do resultado, que já era dado como certo nos bastidores, inclusive com votos favoráveis à cassação vindos de vereadores de seu próprio partido. Durante a madrugada de sábado (4), a Câmara realizou uma sessão extraordinária para dar posse à presidente do Legislativo, vereadora Jussara Caçapava (Avante), que assume a Prefeitura de forma interina.
A legislação prevê a realização de nova eleição municipal no prazo de até seis meses. Em nota, Cristian Wasem contestou duramente o processo, afirmando que a cassação “não se sustenta em fatos, provas ou qualquer tipificação legal” e classificando a decisão como uma manobra política para desrespeitar a vontade popular expressa nas urnas. Segundo ele, não houve crime ou ato ilícito que justificasse a perda do mandato.
A cassação encerra de forma abrupta o governo eleito com ampla maioria em Cachoeirinha e inaugura um período de instabilidade política e transição administrativa no município.
Com informações do g1 RS e do Diário do Estado / Foto: Divulgação.



