Informações divulgadas pelo jornal The New York Times apontam que ao menos 40 pessoas morreram durante a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, na madrugada deste sábado (3). Segundo o diário americano, entre as vítimas estão civis e integrantes das forças armadas da Venezuela, conforme relato de um alto funcionário venezuelano que falou sob condição de anonimato.
Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em Catia La Mar, região costeira de baixa renda localizada a oeste do aeroporto de Caracas. Ali, um ataque aéreo atingiu um prédio residencial de três andares, derrubando parte da estrutura e expondo os apartamentos ao ar livre.
A explosão matou Rosa González, de 80 anos, segundo familiares, e deixou ao menos outra pessoa gravemente ferida. O sobrinho da vítima, Wilman González, contou que escapou por pouco da morte ao se jogar no chão no momento da explosão, mas sofreu ferimentos no rosto e quase perdeu um olho.
Horas depois do ataque, ele tentava recolher o que restou de seus pertences em meio aos escombros. “Não sei para onde vou agora”, disse, enquanto carregava uma gaveta e um guarda-chuva resgatados dos destroços.
Imagens e relatos colhidos no local mostram o impacto direto da ofensiva sobre civis. O interior do edifício ficou completamente exposto, com móveis destruídos e objetos pessoais espalhados. Entre os escombros, um retrato de Simón Bolívar apareceu crivado de estilhaços, tornando-se símbolo da destruição causada pela ação militar.
Moradores da região relataram momentos de desespero após o ataque. Quatro homens tentaram socorrer Rosa González, levando-a de motocicleta até um hospital, onde ela já chegou sem vida. Outra mulher atingida foi hospitalizada em estado crítico.
Investigadores do governo venezuelano estiveram no local ao longo do dia, recolhendo fragmentos de projéteis e ouvindo testemunhas.
Durante a operação, incêndios atingiram o complexo militar de Fuerte Tiuna, em Caracas, considerado o maior do país e um dos principais centros estratégicos das Forças Armadas venezuelanas. Imagens divulgadas por agências internacionais mostram colunas de fumaça e destruição em áreas próximas a instalações militares.
Enquanto isso, autoridades americanas afirmaram que não houve mortes entre os militares dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump declarou que nenhum soldado americano morreu na operação, embora tenha admitido a possibilidade de feridos. O chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, confirmou que helicópteros usados na extração de Maduro foram alvejados, mas conseguiram retornar.
Os relatos detalhados pelo New York Times reforçam o custo humano da operação, evidenciando que, além do impacto político e diplomático, a ofensiva atingiu diretamente populações civis, deixando mortos, feridos e famílias desalojadas em áreas residenciais da Venezuela.
Foto: Luis JAIMES / AFP



