O governo do Rio Grande do Sul, comandado por Eduardo Leite (PSD), garantiu a permanência do South Summit em Porto Alegre por mais dois anos, após firmar um contrato de cerca de R$ 10 milhões com a empresa espanhola Spain Startup and Investor Services S.L., detentora dos direitos do evento. A feira de inovação está prevista para ocorrer nos dias 25, 26 e 27 de março de 2026, no Cais Mauá.
O South Summit é um evento internacional de inovação e empreendedorismo, criado na Espanha, que reúne startups, investidores e empresas, e ocorre em Porto Alegre desde 2022.
Conforme publicação no Diário Oficial, cada edição dos próximos dois anos custará pouco mais de R$ 5 milhões aos cofres públicos, totalizando 1,6 milhão de euros. O valor representa um aumento de quase meio milhão de reais em relação ao pago em 2024 e inclui despesas com uso da marca, planejamento, consultoria técnica, treinamento de equipes, ações de promoção, captação de patrocínios e fornecimento de infraestrutura, como wi-fi, computadores, tendas e painéis de LED.
O contrato não impede reajustes futuros. Embora os acordos das edições anteriores tenham sido assinados pelo mesmo valor inicial, um aditivo no contrato de 2025 elevou o custo em 11,16%, acrescentando mais de 84 mil euros ao montante. Com isso, a edição de 2025 se tornou a mais cara já realizada, ultrapassando R$ 5,2 milhões, segundo a cotação média do período.
A Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict) informou que o aditivo foi necessário para cobrir parte dos custos de recuperação da infraestrutura do Cais Mauá, danificada pelo temporal de 31 de março de 2025. Segundo a pasta, a empresa espanhola teria arcado inicialmente com as despesas e foi posteriormente ressarcida por meio do reajuste contratual.
Dados do Portal da Transparência indicam que, entre 2021 e 2025, o governo estadual já desembolsou mais de R$ 20 milhões para a Spain Startup. Com as edições previstas para 2026 e 2027, o custo total pode ultrapassar R$ 27 milhões em recursos públicos.
Questionada sobre os valores futuros, a Sict afirmou que os reajustes se baseiam na correção pelo IPCA de 2023 e 2024, aplicados sobre o valor original dos contratos, e que a conversão entre euro e real considera a cotação do dia do pagamento. A pasta também destacou que não houve reposição inflacionária entre 2024 e 2025 em razão da crise climática enfrentada pelo estado.
Mesmo com o fim do mandato de Eduardo Leite previsto antes da edição de 2027, o governo já assegurou a realização do evento naquele ano. A secretária da pasta, Simone Stülp, afirmou que há interesse em estender o acordo para manter o South Summit em Porto Alegre até 2030.
Levantamento do portal Sul21 aponta que apenas a edição de 2025 consumiu mais de R$ 20 milhões em investimentos públicos, somando patrocínios, apoio institucional, montagem de estruturas e organização do evento. A secretaria informou que o contrato atual prevê cláusula de rescisão e não envolve pagamentos antecipados.
Lara justificar os aportes, o governo sustenta que o South Summit gera retorno econômico significativo. Segundo a Sict, um estudo da consultoria Alvarez & Marsal indica que, a cada R$ 1 investido no evento, há um retorno estimado de R$ 4,10 para a economia nacional.
Com informações do jornal Matinal.
Foto: Mauricio Tonetto / Secom



