Lideranças da direita brasileira avaliam que uma eventual delação do presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, poderia ser explorada politicamente para desgastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aliados da esquerda na América do Sul. A estratégia, no entanto, é tratada nos bastidores como uma expectativa política, sem confirmação concreta até o momento.
Segundo interlocutores conservadores, a aposta é de que Maduro, sob custódia dos Estados Unidos, possa revelar supostas conexões financeiras entre o regime venezuelano, iniciado por Hugo Chávez em 1999, e partidos de esquerda do continente. Entre os temas levantados estão possíveis operações envolvendo obras de infraestrutura e acordos internacionais com participação brasileira.
Além da hipótese de delação, setores da direita avaliam que a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela enfraquece um dos argumentos que Lula pretendia usar na disputa eleitoral de 2026: a reaproximação diplomática com o presidente norte-americano, Donald Trump. A permanência das forças dos EUA em território venezuelano deve prolongar a crise regional e tensionar relações com governos progressistas da América do Sul.
Essa leitura é compartilhada por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que desponta como pré-candidato à Presidência. Para esse grupo, Lula teria dificuldade em sustentar, no discurso eleitoral, uma relação estável com Trump enquanto condena publicamente a operação militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela.
Após os primeiros ataques, no sábado (3), Lula criticou duramente a ação norte-americana, classificando os bombardeios e a captura de Maduro como uma violação grave da soberania venezuelana e um precedente perigoso no cenário internacional.
Nos bastidores da direita, a Venezuela é vista como tema central da próxima campanha eleitoral.
Lideranças já defendem a reunião de documentos, imagens e registros que evidenciem a proximidade histórica entre Lula e Hugo Chávez, além do relacionamento com o atual governo venezuelano.
Apesar disso, Lula e Maduro romperam relações diplomáticas em 2024, quando o governo brasileiro se recusou a reconhecer o resultado das eleições venezuelanas, contestadas por observadores internacionais. O pleito foi marcado pela ausência da divulgação das atas eleitorais, apesar da proclamação oficial da vitória de Maduro.
No Palácio do Planalto, auxiliares atribuem parte da recuperação da popularidade de Lula em 2025 à retomada do diálogo com Trump, após um período de tensões comerciais e imposição de tarifas a produtos brasileiros. A reaproximação teria ajudado a aliviar restrições econômicas e reforçado a imagem de pragmatismo do presidente brasileiro no cenário internacional.
Com informações Metrópoles.
Foto: Ricardo Stuckert / Divulgação.



