As agroindústrias de Alegrete completaram 60 dias impedidas de comercializar seus produtos fora do município, cenário que já provoca prejuízos milionários, demissões e perda acelerada de mercado. Enquanto empresários denunciam a falta de agilidade do poder público na regularização do sistema de inspeção, a Prefeitura afirma que o processo está em fase final e depende de trâmites federais para a retomada plena do selo do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI).
Um dos casos mais emblemáticos é o da Casa de Carnes Santo Antônio. O proprietário, Silvio Trindade, relata que o prejuízo financeiro da empresa já ultrapassa R$ 1 milhão. Para reduzir custos fixos, ele foi obrigado a demitir sete funcionários, incluindo profissionais qualificados e com anos de experiência.
Segundo o empresário, a paralisação abriu espaço para concorrentes ocuparem contratos e prateleiras em Porto Alegre e na Região Metropolitana, principais mercados consumidores dos produtos de Alegrete.
A ausência do selo nacional gerou um efeito dominó na cadeia produtiva. Restaurantes e distribuidores retiraram os produtos locais de seus cardápios por falta de fornecimento regular, enquanto outros fornecedores ocuparam rapidamente os espaços deixados. Para o setor, mesmo com a retomada das autorizações, a reconquista do mercado exigirá tempo e novos investimentos.
Diante das críticas, a secretária municipal de Agricultura e Pecuária, Gabriela Weiler, divulgou nota oficial nesta quarta-feira (7) apresentando o cronograma de regularização do SISBI. De acordo com a pasta, toda a documentação técnica necessária para a reabilitação das agroindústrias foi enviada ao Ministério da Agricultura (MAPA) em 30 de dezembro. A previsão é de que as auditorias federais sejam retomadas a partir de 14 de janeiro, com Alegrete tratado como prioridade pelos órgãos em Porto Alegre e Brasília.
A secretária explicou que, desde 15 de dezembro, um despacho decisório permite que empresas que já possuíam o selo retomem suas autorizações. No entanto, o município ainda está impedido de indicar novas empresas ou produtos até a conclusão integral do processo.
Segundo a Prefeitura, a demora na normalização ocorreu em razão do recesso administrativo de final de ano e do elevado número de denúncias protocoladas na ouvidoria do MAPA, que exigiram apurações adicionais.
A administração municipal também reforçou que o entrave não está relacionado à segurança alimentar. As 22 agroindústrias de Alegrete seguem sendo fiscalizadas pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM), e a venda dentro do município ocorre normalmente.
O SISBI, segundo a Secretaria, é exclusivamente uma autorização para ampliar a comercialização para fora das fronteiras municipais e estaduais.
Apesar das explicações apresentadas pela Prefeitura, empresários do setor avaliam que a crise poderia ter sido evitada com planejamento e maior agilidade administrativa. Para eles, a perda do SISBI não foi um evento inesperado, mas o resultado de alertas ignorados e de uma condução considerada lenta por parte do Executivo municipal, que permitiu que entraves burocráticos evoluíssem para um bloqueio prolongado da atividade econômica.
Na avaliação dos produtores, a gestão falhou ao não antecipar prazos, não criar um plano de contingência e não tratar a manutenção do sistema de inspeção como prioridade estratégica, transferindo agora para fatores externos um problema que já causa danos concretos, demissões e perda de mercado às agroindústrias de Alegrete.
Enquanto o setor produtivo compara a situação a um navio carregado, pronto para partir, mas retido no porto por falta de um documento, a Prefeitura afirma manter contato diário com auditores federais. O objetivo, segundo a gestão do prefeito Jesse Trindade (MDB) e do vice-prefeito Luciano Belmonte (PP), é acelerar a conclusão do processo e reduzir os prejuízos acumulados pelos empresários locais.
Com informações Rádio Minuano FM – 97,5.



