Morreu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro, o autor de novelas Manoel Carlos, referência da dramaturgia brasileira. Conhecido como Maneco, ele lutava contra a Doença de Parkinson e estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana. A família confirmou o falecimento, sem divulgar a causa.
Manoel Carlos deixou um legado que atravessa gerações. Entre suas obras mais lembradas estão “Laços de Família”, “Mulheres Apaixonadas”, “Por Amor” e “Viver a Vida”, novelas que marcaram o imaginário nacional e consolidaram sua assinatura: as icônicas Helenas. Sempre fortes, complexas e centradas no amor materno, as personagens de Maneco atravessaram décadas, interpretadas por atrizes como Regina Duarte, Maitê Proença, Vera Fischer, Christiane Torloni, Taís Araújo e Julia Lemmertz.
Carioca de coração, Maneco fez do Rio de Janeiro não apenas cenário, mas personagem de suas tramas, situando dramas familiares e conflitos cotidianos sob o sol e as paisagens da cidade. Ele via o amor e a tensão familiar como universais: “O amor se parece em todas as línguas, todos os países. O ódio, a inveja, o ciúme. E isso tudo existe em qualquer família”, dizia.
A carreira de Manoel Carlos começou cedo, aos 17 anos, nos palcos e na TV Tupi, como ator e depois produtor. Passou por diversas emissoras antes de estrear na Globo em 1972 como diretor-geral do “Fantástico”. Em 1978, adaptou “Maria, Maria” e “A Sucessora”, consolidando sua habilidade de transformar romances e teleteatros em novelas de grande sucesso.
Além das Helenas, Maneco também escreveu minisséries como “Presença de Anita” e “Maysa – Quando Fala o Coração”, sempre com atenção a dramas humanos e temas sociais. Suas obras abordaram questões como inclusão, violência contra a mulher, alcoolismo e doação de medula, tornando suas histórias não apenas entretenimento, mas também reflexões sobre a sociedade.
Manoel Carlos deixa duas filhas: a atriz Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina, que colaborou em diversas obras. O velório será restrito à família e amigos íntimos. Em nota, a família pediu respeito e privacidade neste momento delicado.
Com sua morte, o Brasil se despede de um autor que não apenas criou novelas, mas construiu uma marca cultural profunda, retratando mães, amores, conflitos familiares e o Rio de Janeiro de forma única, sempre com personagens que resistem ao tempo, especialmente suas Helenas, eternas no imaginário da televisão brasileira.
Com informações G1.
Foto: Estevam Avellar/Globo



