O Irã vive um dos momentos mais críticos de sua história recente. Protestos que se espalham por Teerã e outras cidades do país já deixaram mais de 500 mortos, segundo organizações de direitos humanos, enquanto a população enfrenta um apagão digital que ultrapassa 72 horas, dificultando a circulação de informações e a verificação independente dos fatos.
Os protestos começaram em 28 de dezembro, quando comerciantes do bazar de Teerã foram às ruas contra a inflação elevada, o colapso da moeda iraniana e a perda do poder de compra. O agravamento da crise econômica ampliou rapidamente a mobilização, fazendo com que os atos se espalhassem por outras cidades do país.
Com o avanço das manifestações, o movimento ganhou caráter político, passando a questionar diretamente a República Islâmica e a repressão estatal. Em algumas regiões, manifestantes entoaram slogans contra o regime e em apoio à dinastia Pahlavi, deposta pela Revolução Islâmica de 1979, evidenciando a dimensão histórica da crise.
A ONG Hrana estima que mais de 500 pessoas tenham morrido desde o início dos protestos. Já a Iran Human Rights, com sede na Noruega, confirmou ao menos 200 mortes, mas alerta que o número real pode ser significativamente maior.
Para o diretor da entidade, Mahmood Amiry-Moghaddam, a repressão se intensificou após o corte das comunicações: “O assassinato de manifestantes nos últimos três dias, particularmente após o bloqueio nacional da internet, pode ser ainda mais extenso do que imaginamos atualmente. A República Islâmica está cometendo um grave crime internacional contra o povo do Irã.”
Na noite de sábado (10), moradores de um bairro da zona norte de Teerã voltaram às ruas. Vídeos verificados pela agência AFP mostram manifestantes lançando fogos de artifício na Praça Punak, batendo panelas e entoando slogans em apoio à dinastia Pahlavi, deposta pela Revolução Islâmica de 1979.
O governo iraniano afirma ter prendido 200 líderes dos protestos e acusa Estados Unidos e Israel de fomentarem a revolta. Em resposta às ameaças recentes deixadas pelo presidente americano Donald Trump, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, advertiu que qualquer ação militar dos EUA levaria Teerã a contra-atacar, considerando Israel e todas as bases militares americanas na região como “alvos legítimos” em caso de ataque.
Três autoridades israelenses, em declaração anônima, disseram que o país está em estado de alerta máximo diante da possibilidade de intervenção americana em apoio às manifestações. Trump havia afirmado que os Estados Unidos estão “prontos para ajudar” os manifestantes, ampliando o clima de tensão regional.



