As condições climáticas das últimas semanas têm contribuído de forma decisiva para o bom andamento da safra de verão no Rio Grande do Sul. Com a semeadura praticamente concluída, as lavouras de soja, milho e arroz apresentam evolução considerada positiva, impulsionada pela frequência das chuvas e por períodos de sol que garantem umidade adequada ao solo e bom desenvolvimento das plantas.
De acordo com o mais recente Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, a combinação entre precipitações regulares e temperaturas favoráveis tem sido essencial para a recuperação das lavouras, especialmente após episódios pontuais de déficit hídrico registrados entre o fim de novembro e o início de dezembro.
Segundo a pesquisadora Loana Cardoso, da Secretaria Estadual da Agricultura (Seapi) e coordenadora do Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do RS (Coopaergs), a atual configuração climática indica um cenário menos típico do fenômeno La Niña.
Apesar de a NOAA ainda apontar 56% de probabilidade de La Niña para o trimestre dezembro–fevereiro, o comportamento das chuvas se aproxima mais de uma condição neutra, com volumes significativos em várias regiões do Estado.
“Desde meados de dezembro, observamos chuvas mais frequentes e volumosas, o que não é característico de um La Niña clássico”, explica a especialista. A tendência, segundo ela, é de manutenção das precipitações nas próximas semanas, o que sustenta a expectativa de uma safra positiva.
Na soja, a semeadura já alcança 96% da área prevista, com predominância do estágio vegetativo e início da floração nas áreas plantadas mais cedo. As chuvas recentes favoreceram o crescimento vigoroso das plantas e a manutenção da umidade do solo. Já o milho apresenta recuperação parcial da produtividade em áreas afetadas pela estiagem anterior, especialmente nas lavouras irrigadas e nas áreas semeadas mais tardiamente, que atravessam fases críticas em melhores condições climáticas.
O arroz irrigado segue em desenvolvimento vegetativo, com avanço gradual para a fase reprodutiva em algumas regiões. As precipitações auxiliaram os cultivos, embora tenham provocado danos pontuais à infraestrutura em determinadas localidades. A área cultivada no Estado é estimada em 920 mil hectares, com produtividade inicial projetada em 8.752 kg por hectare.
Mesmo com a variabilidade típica do clima gaúcho, a avaliação técnica indica que a maior regularidade das chuvas ao longo do verão deve sustentar uma boa produtividade agrícola, reforçando o otimismo do setor para a safra 2025/2026.
Com informações Emater / Correio do Povo.



