Número representa 20% do quadro do setor no Estado e pode chegar a 2,5 mil ainda em janeiro, alerta sindicato
Uma semana após a entrada em vigor das novas regras para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), os impactos no setor já são sentidos no Rio Grande do Sul. Cerca de 2 mil trabalhadores foram demitidos em Centros de Formação de Condutores (CFCs) desde o início de dezembro, quando foi publicada a Resolução nº 1.020 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O número corresponde a aproximadamente 20% do quadro total no Estado.
Os dados são do Sindicato dos CFCs do RS (SindiCFC-RS). Segundo o presidente da entidade, Vilnei Sessim, o total de desligamentos pode chegar a 2,5 mil ainda em janeiro, atingindo principalmente instrutores teóricos e diretores de ensino, funções que deixaram de ser obrigatórias com a nova legislação.
No Estado, as mudanças da chamada “CNH do Brasil” passaram a valer no dia 5 de janeiro. Com a flexibilização das exigências, o custo da habilitação foi reduzido em cerca de 80%, mas, conforme o sindicato, isso ocorreu à custa da qualidade do processo de formação. “Houve uma precarização. Sem a exigência de aulas, não há como manter mão de obra qualificada nos CFCs”, afirmou Sessim.
Entre as principais alterações está a redução drástica da carga horária. Antes, o candidato precisava cumprir 45 horas de aulas teóricas e 20 práticas. Agora, não há mais obrigatoriedade das aulas teóricas, sendo exigida apenas uma prova de conhecimentos gerais, e o número de aulas práticas foi reduzido.
Para o sindicato, o novo modelo abre espaço para situações de risco. “Pais ensinando filhos em carros comuns, sem pedal auxiliar de freio e sem identificação adequada, cria um risco imediato de acidentes e atropelamentos”, alertou o presidente.
A reportagem percorreu locais de prova prática em Porto Alegre, como áreas utilizadas para a baliza, e constatou movimentação semelhante à das últimas semanas, apesar das mudanças recentes.



