Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi oficialmente assinado neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai. O tratado estabelece uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, reunindo países que somam mais de 700 milhões de habitantes e cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) global.
A cerimônia contou com a presença de chefes de Estado e representantes dos países envolvidos, entre eles os presidentes do Paraguai, Santiago Peña; da Argentina, Javier Milei; do Uruguai, Yamandú Orsi; da Bolívia, Rodrigo Paz; além de autoridades da União Europeia, como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o acordo garante ao Mercosul acesso preferencial ao mercado europeu, que reúne aproximadamente 450 milhões de consumidores.
A União Europeia eliminará tarifas para cerca de 92% das exportações do bloco sul-americano, além de conceder acesso preferencial a outros 7,5%. Apesar da assinatura, o tratado ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais dos países envolvidos para entrar em vigor, processo que pode enfrentar resistências, especialmente em países europeus com forte pressão de setores agrícolas.
Impactos esperados no Brasil
Especialistas apontam que, quando implementado, o acordo pode resultar na redução gradual de preços de produtos importados no Brasil, como vinhos, azeites, queijos, medicamentos, veículos e insumos agrícolas.
Também há expectativa de ampliação das exportações brasileiras, especialmente do agronegócio e da indústria de calçados.
Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o acordo pode gerar impactos positivos no crescimento econômico do país, com aumento do PIB e dos investimentos ao longo dos próximos anos.
Por outro lado, o tratado enfrenta críticas de sindicatos e setores industriais, que alertam para riscos de desindustrialização e perda de empregos, caso não haja políticas de proteção e estímulo à produção nacional.
Fonte: BBC News Brasil. Com informações da AFP. Foto: Mariana Greif/Reuters



