Em um dos casos, investigação aponta aplicação de desinfetante diretamente na veia de paciente, que veio a óbito
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a morte de três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Três técnicos de enfermagem foram presos preventivamente, suspeitos de envolvimento direto e indireto nos homicídios, ocorridos entre novembro e dezembro do ano passado.
Segundo as investigações, um técnico de enfermagem de 24 anos é apontado como o principal executor dos crimes. Ele teria aplicado doses elevadas de medicamentos nos pacientes, sem prescrição médica, com o objetivo de provocar paradas cardíacas. Em pelo menos um dos casos, o suspeito também teria injetado desinfetante diretamente na veia da vítima, após o medicamento acabar, o que resultou em morte imediata.
“Em um dos casos, o medicamento acabou — ele injetou cerca de 4 vezes esse medicamento. Essa vítima teve seis paradas cardíacas. Como ela não faleceu, e como o medicamento havia acabado, ele utilizou de um desinfetante que estava na pia do leito. Ele encheu cerca de 13 seringas e injetou diretamente na veia da paciente, e isso também causou o óbito dela”, disse o delegado Wisllei Salomão.
Duas técnicas de enfermagem, de 28 e 22 anos, também foram presas. De acordo com a Polícia Civil, elas teriam participado de parte dos crimes ao acobertar a conduta do colega, permanecendo na UTI durante as aplicações e deixando de acionar a equipe médica, mesmo diante da piora súbita dos pacientes.
As vítimas foram identificadas como Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, João Clemente Pereira, de 63, e Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos. Apesar de apresentarem quadros clínicos distintos, todos tiveram agravamento repentino pouco tempo após a atuação do técnico suspeito, o que levantou suspeitas internas no hospital.
Imagens do circuito de segurança da UTI foram decisivas para o avanço do inquérito. Confrontado com os vídeos, o técnico de 24 anos confessou os crimes em depoimento. Uma das técnicas também admitiu participação, afirmando arrependimento por não ter impedido as ações. A investigação aponta ainda que o suspeito utilizou a senha de um médico para emitir receitas fraudulentas e retirar medicamentos da farmácia do hospital.
O Hospital Anchieta informou que instaurou um comitê interno ao identificar irregularidades nos óbitos, demitiu os envolvidos e comunicou as autoridades, colaborando com a investigação. As famílias das vítimas foram notificadas após a confirmação das suspeitas criminais.
As prisões ocorreram no último dia 11, com cumprimento de mandados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. A Polícia Civil apura agora se há outras vítimas, tanto no Hospital Anchieta quanto em unidades de saúde onde o técnico investigado trabalhou anteriormente. O caso tramita sob segredo de justiça.
Com informações do G1.



