Entidades que representam a cadeia produtiva do arroz no Rio Grande do Sul apresentaram, nesta quinta-feira (5), sete propostas para enfrentar a crise do setor orizícola no Estado. Entre as medidas está a recomendação de redução da área plantada, diante dos baixos preços pagos ao produtor e do agravamento das dificuldades financeiras no campo.
A expectativa é de que a área cultivada com arroz na atual safra fique entre 880 mil e 890 mil hectares, o que representa uma retração de cerca de 9% em relação ao ciclo anterior, quando foram plantados 970 mil hectares. A informação foi detalhada pelo presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Alexandre Velho, durante coletiva promovida pelo Sistema Farsul. Das seis regiões produtoras do Estado, apenas a Planície Costeira Externa não registrou redução de área.
O impacto também se reflete na produção. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziu a estimativa de colheita em 153 mil toneladas entre o primeiro e o quarto levantamento da safra gaúcha.
Na comparação com o ciclo passado, a queda é de 12,2%, o equivalente a 1,68 milhão de toneladas. Para o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Antônio Velho Lopes, a articulação antecipada do setor demonstra a gravidade do cenário enfrentado pelos produtores.
“Vivemos o momento mais delicado da agropecuária e silvicultura gaúcha na nossa história”, afirmou. Segundo ele, fatores climáticos extremos, somados a questões de mercado e à geopolítica internacional, têm prejudicado diversas cadeias produtivas no Estado.
O economista-chefe da Farsul, Antonio da Luz, ressaltou que a redução da atividade não é uma escolha voluntária. “Ninguém gosta de diminuir sua atividade, mas os produtores gaúchos estão fazendo a sua parte”, declarou.
De acordo com ele, eventos climáticos recentes e a crise de crédito, marcada pelo alto endividamento, reduziram os investimentos e podem comprometer o padrão tecnológico das lavouras, com reflexos na produtividade.
A competitividade do arroz brasileiro também esteve no centro das discussões. O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, afirmou que o setor busca diálogo com os governos estadual e federal para corrigir distorções tributárias.
“A indústria gaúcha tem perdido, nos últimos anos, para as indústrias de Minas e São Paulo que estão com a tributação zero e trazem arroz do Paraguai”, disse.
Representando a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Antônio Carlos de Quadros Ferreira Neto informou que o governo do Estado recebeu uma nota técnica do setor solicitando a redução temporária do ICMS durante o período de maior comercialização.
A proposta está em análise e, segundo ele, pode ter encaminhamentos a partir da próxima semana.
Além da redução de área plantada, o pacote de propostas inclui ações voltadas à comercialização, estímulo às exportações com uso da Taxa de Cooperação e Defesa da Orizicultura (CDO), renegociação e desconcentração de dívidas, alongamento de custeios junto às instituições financeiras e medidas para coibir a venda de arroz fora do padrão informado nas embalagens.
Com informações Correio do Povo.
Imagem: Nilson Conrad.



