Cerca de 23% dos idosos do Rio Grande do Sul estão endividados, segundo dados do Serasa, em um cenário que evidencia a dificuldade de aposentados e pensionistas para arcar com despesas básicas como moradia, alimentação e medicamentos. A insuficiência de renda tem levado parte dessa população a recorrer a empréstimos, principalmente consignados, para equilibrar o orçamento.
A realidade aparece nas falas de quem enfrenta a pressão financeira no dia a dia. “Tem que ajudar na casa, senão não dá para viver, com esse salário bem pequeninho”, afirma a aposentada Sandra Terezinha Peixoto. Já Geneci dos Santos resume a situação: “Eu preciso de um empréstimo para pagar minhas dívidas. O que eu ganho não dá”.
Até 31 de dezembro, cerca de R$ 800 milhões em crédito consignado haviam sido liberados no estado, conforme o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Embora essa modalidade tenha custo menor do que linhas tradicionais, há preocupação com o comprometimento excessivo da renda.
“O que mais preocupa é a violência financeira”, alerta um representante do órgão, ao mencionar casos em que familiares utilizam o benefício do aposentado.
A Defensoria Pública identifica três perfis principais de endividamento: idosos vítimas de golpes ou descontos indevidos, aqueles que assumiram empréstimos com juros elevados e os superendividados, com renda já comprometida.
“As pessoas acabam usando seus benefícios para pagar alimentação, medicação e moradia, e esse valor não é suficiente”, explica a defensora Bibiana Veríssimo Bernardes.
Para entidades representativas, a ausência de políticas de orientação agrava o problema. A frustração com a aposentadoria aparece de forma direta entre beneficiários. “Achei que agora ia descansar… Mas foi pior. Tu vai no mercado e não consegue comprar nada”, desabafa Geneci.
O cenário reforça o alerta de especialistas sobre o impacto do custo de vida e da dependência familiar sobre benefícios previdenciários, ampliando o risco de endividamento contínuo e dificultando a recuperação financeira dessa parcela da população.
Com informações G1.
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