A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro decidiu não participar da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo aliados ouvidos pelo jornal Estadão. A posição já foi comunicada ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ocorre em meio a desgastes políticos e familiares que vêm marcando a reorganização do grupo para a disputa eleitoral.
Sem atacar o enteado publicamente, Michelle pretende manter atuação discreta e concentrar esforços na candidatura ao Senado pelo Distrito Federal e no apoio a candidatas aliadas. A opção já vinha sendo adotada pela ex-primeira dama que desde o anúncio da pré-candidatura de Flávio não expressou publicamente nenhuma mensagem de apoio.
Procurado, Flávio negou divisão interna e afirmou manter diálogo com a ex-primeira-dama. “Falo com a Michelle diretamente e não vou alimentar tentativas de divisão fabricadas por fontes ocultas e mentirosas. Todos temos um objetivo em comum de resgatar o Brasil das mãos sujas do PT”, declarou. Nos bastidores, porém, interlocutores indicam que o distanciamento ganhou força após uma mensagem enviada pelo senador sugerindo que Michelle estaria atuando contra sua candidatura, episódio relatado por ela como ofensivo.
O afastamento se soma a outros atritos com integrantes da família. Em Santa Catarina, Michelle se distanciou do vereador Carlos Bolsonaro ao declarar apoio à deputada federal Caroline de Toni para o Senado, mesmo após o filho do ex-presidente ter sido alçado candidato no Estado por articulação do próprio Bolsonaro.
A movimentação expôs divergências sobre a formação de palanques e ampliou o ruído interno.
As tensões também se manifestaram em disputas sobre alianças regionais e estratégias eleitorais, além de sinais de proximidade de Michelle com o governador Tarcísio de Freitas. Em paralelo, críticas públicas vindas de apoiadores do bolsonarismo ampliaram o desgaste, caso do blogueiro Allan dos Santos, a quem Michelle respondeu chamando de “Allan dos demônios”.
Embora não represente ruptura formal, o conjunto de episódios evidencia disputas por espaço e influência dentro do grupo político.
Em um cenário de reorganização eleitoral, o afastamento de Michelle da campanha de Flávio — somado aos choques com outros integrantes da família, reforça a fragmentação interna que atravessa o bolsonarismo às vésperas do pleito.
Foto: Breno Carvalho / O Globo / Reprodução.
Com informações do Estadão.



