Extratos financeiros revelados pela imprensa indicam que cerca de R$ 35 milhões foram movimentados em fundos conectados ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a uma empresa associada ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, em operações relacionadas à participação societária no resort Tayayá, no Paraná. As movimentações, identificadas no contexto de investigações da Polícia Federal, ampliam a pressão institucional e política sobre o magistrado e já resultaram na sua saída da relatoria do inquérito no tribunal.
De acordo com a apuração, aportes milionários — incluindo transferências de R$ 15 milhões e R$ 5 milhões em 2021, foram realizados por meio de fundos estruturados que tinham como cotista o pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro.
Esses recursos abasteceram outro fundo que adquiriu parte da participação societária da empresa Maridt S.A., ligada à família do ministro, em um empreendimento turístico avaliado em mais de R$ 200 milhões.
Documentos também indicam novo aporte superior a R$ 14,5 milhões transferido ao fundo investidor em 2025.
Mensagens analisadas por investigadores mostram cobranças sobre a execução dos pagamentos e referência a repasses destinados ao empreendimento.
Após a divulgação do relatório policial, Toffoli deixou a condução do processo relacionado ao banco, que foi redistribuído ao ministro André Mendonça. Em manifestação pública, o magistrado afirmou que a empresa citada tem caráter familiar, declarou que sua participação é legalmente permitida e negou ter recebido recursos diretamente do empresário.
O episódio aprofunda o desgaste político em torno do tribunal e intensifica o debate sobre transparência, potenciais conflitos de interesse e os limites institucionais em investigações que envolvem autoridades de alto escalão.



