O senador Luis Carlos Heinze mudou o rumo da própria estratégia e sacudiu o tabuleiro político gaúcho ao declarar apoio à aliança entre o Progressistas e o Partido Liberal, endossando a pré-candidatura de Luciano Zucco ao Palácio Piratini. A decisão contraria sinais recentes de alinhamento com Ernani Polo e escancara a divisão interna no PP gaúcho.
A guinada ocorre semanas depois de o senador sinalizar proximidade com o deputado Ernani Polo, que defendia candidatura própria do PP.
Agora, Heinze sustenta que a prioridade é fortalecer o projeto nacional conservador e alinhar o Rio Grande do Sul à estratégia de apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Nos bastidores, o movimento ganhou forma durante encontro em Imbé, no último fim de semana, com lideranças como Covatti Filho, Rodrigo Lorenzoni e Guilherme Pasin. A leitura do grupo é pragmática: unir a base conservadora desde já para evitar dispersão em 2026.
Mas a decisão não passou sem ruído. Polo reagiu com evidente desconforto. Lembrou a lealdade construída em disputas anteriores e reafirmou que a base progressista ainda defende um nome próprio na corrida estadual. Segundo ele, o partido aguarda o aval para realizar pré-convenção que definirá, “de forma democrática”, os rumos da sigla.
Se, de um lado, Heinze aposta na convergência como estratégia de força, de outro, a ala ligada a Polo vê precipitação e risco de esvaziamento interno.
No meio do embate, o PP gaúcho se vê diante de uma escolha que vai além de nomes: trata-se de decidir se entra unido em um projeto nacional ou preserva protagonismo regional.
Foto: Andressa Anholete / Agência Senado



