O governo federal aumentou o imposto de importação sobre mais de mil produtos, incluindo smartphones, máquinas industriais e equipamentos hospitalares, e estima arrecadar R$ 14 bilhões adicionais em 2026. A medida, anunciada pelo Ministério da Fazenda e já parcialmente em vigor desde novembro, tem como objetivo reforçar a proteção à indústria nacional e contribuir para o cumprimento da meta de superávit nas contas públicas.
Entre os produtos taxados estão smartphones, painéis indicadores com tecnologia LCD ou LED e circuitos impressos montados, itens amplamente utilizados na cadeia de eletrônicos. Também foram incluídos cartuchos de tinta, controladores de edição e máquinas de impressão, impactando o setor gráfico e de comunicação visual.
No segmento industrial pesado, a lista abrange reatores nucleares, caldeiras, fornos industriais, turbinas para embarcações, motores para aviação, geradores de gás, bombas para distribuição de combustíveis e plataformas de perfuração flutuantes ou submersíveis.
Equipamentos voltados à logística e produção, como empilhadeiras, robôs industriais, máquinas de compressão e compactação, distribuidores de fertilizantes e máquinas para fabricação de sacos e envelopes também tiveram alíquotas elevadas.
A área de saúde não ficou de fora. Estão na relação aparelhos de ressonância magnética, tomógrafos computadorizados, equipamentos odontológicos e centrífugas laboratoriais, além de câmeras especializadas para exames médicos e investigações periciais. No setor agroindustrial e têxtil, foram incluídas descaroçadeiras e deslintadeiras de algodão, máquinas de fiação e equipamentos para as indústrias de panificação, açúcar e cervejaria.
Há ainda impacto sobre bens de transporte e infraestrutura, como tratores, transatlânticos, embarcações de excursão, navios de guerra e torres e pórticos metálicos. Até máquinas de cortar cabelo aparecem na lista revisada.
A medida, no entanto, tem gerado críticas de setores da oposição e até de apoiadores. “Não aprenderam absolutamente nada com a taxa das blusinhas”, comentou um internauta, classificando a iniciativa como impopular, sobretudo em ano eleitoral.
A oposição também já se posicionou: Nikolas Ferreira afirmou em suas redes sociais que “é o governo que mais arrecada imposto e segue aumentando”, reforçando a narrativa de que a medida pode afetar a popularidade do governo e deve ser explorada ao longo do ano.
Importadores e representantes do setor produtivo, também criticam a iniciativa. Eles alertam para possível efeito inflacionário indireto, aumento de custos para modernização do parque industrial, que já opera, em muitos casos, com máquinas antigas, e perda de competitividade internacional.
O governo, por sua vez, avalia que o impacto no IPCA tende a ser baixo e diluído ao longo da cadeia, com possibilidade de substituição por produção nacional. O Ministério da Fazenda sustenta que a ação busca conter a alta das importações, que cresceram mais de 30% desde 2022 nesses segmentos, e reduzir a dependência externa.
Apesar do aumento, a Fazenda abriu prazo até 31 de março para pedidos de redução temporária da alíquota a zero para itens anteriormente beneficiados, com concessão provisória de até 120 dias. A medida ocorre em meio a um cenário global de maior protecionismo comercial e debates sobre uso de tarifas como instrumento de política industrial.
enquanto representantes do setor produtivo alertam para possível encarecimento de investimentos, obras de infraestrutura, manutenção hospitalar e produtos eletrônicos ao consumidor final.
Com informações G1.
Foto: Diogo Zacarias / Reprodução.



