Deputados da base governista afirmam nesta que houve fraude na contagem de votos que aprovou o requerimento de quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi tomada durante sessão da CPMI do INSS e gerou forte reação de parlamentares governistas, que prometem recorrer para tentar anular o resultado.
Segundo integrantes da bancada petista, o número proclamado pela presidência da comissão não corresponderia ao total de votos registrados no plenário no momento da deliberação. O partido sustenta que houve erro na contagem durante a votação simbólica e defende a revisão formal do resultado.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) contestou publicamente o procedimento e classificou o episódio como grave. “O que aconteceu agora foi muito grave, viola a democracia”, afirmou. Ele alegou que 14 parlamentares teriam se posicionado contra os requerimentos, em contraste com sete favoráveis. “A imprensa tem essas imagens, a secretaria da Casa tem as imagens. O resultado da votação foi 14 a 7. TV Senado mostra isso”, declarou.
Pimenta pediu a anulação imediata da votação por erro na contagem e advertiu que, caso o pedido não fosse acolhido, o partido interpretaria o caso como tentativa de fraude. “Vamos interpretar como uma ação do senhor para fraudar o resultado da votação e iremos até o presidente do Congresso para solicitar a imediata anulação”, disse, acrescentando que também poderá haver representação no Conselho de Ética.
A votação ocorreu de forma simbólica, por contraste visual, método em que os parlamentares favoráveis permanecem sentados e os contrários se levantam. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (PL-MG), conduziu a contagem em voz alta e desconsiderou votos de suplentes, que não têm direito a voto.
Segundo ele, foram registrados sete votos contrários à pauta, número insuficiente para derrubar o requerimento.
Viana rejeitou o pedido de anulação e negou qualquer irregularidade. “Para que a pauta fosse derrubada era necessário que o governo apresentasse maioria dos votos. Contei duas vezes sete votos. A pauta de hoje está aprovada”, reiterou durante a suspensão da sessão. Ele também afirmou que não seria possível realizar nova contagem naquele momento.
De acordo com o regimento interno, não houve votação nominal, com registro individual de votos, porque já havia ocorrido pedido anterior desse tipo na mesma sessão, e a norma prevê intervalo mínimo de uma hora entre solicitações semelhantes.
A decisão amplia o embate político em torno da CPMI, instalada para investigar irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social, e deve acirrar a disputa entre governistas e oposição nos próximos dias.
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado.



