Crise da erva-mate na Argentina impulsiona migração de trabalhadores para o Brasil

A mudança na política econômica do governo do presidente Javier Milei tem provocado impactos diretos no setor ervateiro da Província de Misiones, no nordeste da Argentina. Com o fim da política de preços mínimos para a erva-mate, trabalhadores rurais da região passaram a buscar oportunidades no Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul.

A decisão provocou uma queda significativa no valor pago pelo produto. O quilo da erva-mate, que anteriormente tinha um preço mínimo de cerca de 420 pesos, passou a ser negociado por aproximadamente 180 pesos, tornando a atividade menos rentável para pequenos produtores e trabalhadores conhecidos como “tarefeiros”, responsáveis pela colheita.

Diante da redução na renda, muitos desses trabalhadores têm deixado o campo na Argentina para buscar emprego em atividades agrícolas no sul do Brasil. Municípios gaúchos ligados à produção de uva e frutas, como Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Flores da Cunha, passaram a receber um número crescente de trabalhadores argentinos.

É o caso de Joaquin Rios, de 32 anos e pai de duas crianças, decidiram migrar em busca de renda. Ele atuava na colheita da erva-mate em Misiones, quando recebia cerca de 79 pesos por quilo colhido, valor equivalente a aproximadamente R$ 0,30.

Hoje, trabalha na colheita de uvas em Pinto Bandeira, no Rio Grande do Sul, onde o pagamento chega a cerca de R$ 180 por dia. “Aqui, além do salário, temos comida e moradia. A condição de trabalho é bem melhor”, afirmou.

Dados da Receita Federal do Brasil indicam que a emissão de CPF para cidadãos argentinos aumentou expressivamente nos últimos anos. Enquanto entre 2016 e 2021 eram registrados cerca de 8 mil documentos por ano, em 2025 o número se aproximou de 40 mil.

A migração também atende a uma demanda crescente por mão de obra no campo gaúcho. A colheita de culturas como uva, maçã, tomate e morango depende de trabalhadores sazonais, e produtores locais têm encontrado nos argentinos uma alternativa para suprir essa necessidade.

Segundo representantes sindicais do setor rural na Serra Gaúcha, além da remuneração considerada mais atrativa, muitos trabalhadores estrangeiros têm sido contratados com vínculo formal, seguindo as regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o que garante direitos trabalhistas e melhores condições de trabalho.

O movimento migratório evidencia como decisões econômicas em um país podem gerar efeitos diretos nas regiões de fronteira do Mercosul, onde atividades agrícolas e culturais, como a produção de erva-mate e o consumo de chimarrão, fazem parte da identidade compartilhada entre brasileiros e argentinos.

Foto: Instituto Nacional de la Yerba Mate/Divulgação.

Com informações Diário do Centro do Mundo.

Maicon Schlosser

Jornalista

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