A população são-borjense viveu, ontem, um dia difícil. Uma chuva de aproximadamente 50 milímetros provocou alagamentos e inundações em diversos pontos da cidade, gerando prejuízos materiais e, sobretudo, um sentimento coletivo de indignação e abandono.
Ao longo do dia, as redes sociais se transformaram em um espaço de desabafo. Vídeos, relatos dramáticos e pedidos urgentes de ajuda se multiplicaram, escancarando a dimensão do problema enfrentado por dezenas de famílias.
Foram inúmeras as residências atingidas. Muitas pessoas perderam móveis, eletrodomésticos e, principalmente, a tranquilidade. Em comum, boa parte das reclamações apontava para obras recentes da Corsan que, segundo moradores, teriam contribuído diretamente para o agravamento dos alagamentos.
E é justamente aí que entra a responsabilidade do poder público municipal.
Cabe à Prefeitura de São Borja fiscalizar as obras executadas na cidade e, sobretudo, agir de forma rápida, clara e transparente em momentos de crise.
No entanto, enquanto a água invadia casas e a revolta tomava conta das ruas e das redes sociais, não se viu uma mobilização efetiva do Executivo municipal, tampouco a presença do prefeito José Luiz (PP) ou de sua base de vereadores aliados.
Quem apareceu foram os bombeiros, a Brigada Militar e outros órgãos de segurança pública, que cumpriram com profissionalismo o papel de amparar a população. Eles são essenciais no atendimento emergencial. Mas, em situações como essa, a comunidade clama por algo além da técnica: clama por liderança.
Não se trata apenas de resolver problemas operacionais. Trata-se de presença, de palavra, de gesto. A população espera, ao menos, a certeza — ou a sensação — de que o prefeito está acompanhando a situação de perto, prestando solidariedade e organizando respostas.
É nas horas difíceis que o líder precisa se mostrar. Guiar, ouvir, acolher e assumir responsabilidades. Não é preciso muito: uma manifestação pública, uma visita às áreas atingidas, uma mensagem clara dizendo “estamos trabalhando” já faz diferença.
Afinal, os votos depositados nas urnas carregam a expectativa de que o eleito não se ausente quando a cidade mais precisa.
Causa ainda mais estranhamento essa ausência de liderança ativa quando se recorda que, há poucos dias, o chefe do Executivo se deslocou rapidamente para prestar apoio a trabalhadores baianos abandonados por uma obra estadual.
A atitude foi nobre e legítima. Mas fica a pergunta inevitável: onde está essa mesma agilidade quando se trata da população local, que confiou nele e o elegeu prefeito?
Não por acaso, “abandono” foi uma das palavras mais repetidas nas postagens de ontem. Quando o líder não aparece, a desconfiança cresce, a paciência diminui e se consolida a imagem de uma cidade deixada à própria sorte.
Na hora H, São Borja precisa de um líder que apareça, assuma o comando e diga, com clareza, que nenhuma família ficará desamparada, hoje e no futuro, com a apuração das causas e a correção dos problemas estruturais. Porque, quando o silêncio impera, o sentimento de abandono fala mais alto.
EDITORIAL:
Um editorial é um texto jornalístico de caráter opinativo que expressa a posição oficial de um veículo de comunicação sobre um fato de interesse público. Diferentemente da reportagem, ele não se limita à narração dos acontecimentos, mas analisa, interpreta e emite juízo de valor, com base em argumentos, contexto e responsabilidade social, buscando contribuir para o debate público e a formação da opinião dos leitores.



