A Santa Casa de Caridade de Uruguaiana enfrenta uma das maiores crises de sua história, que já se arrasta há meses. O alerta começou quando médicos do Pronto-Socorro denunciaram salários atrasados e condições precárias de trabalho.
Mais recentemente, esses profissionais decidiram pedir demissão coletiva diante da falta de pagamento, o que aumentou a preocupação da população diante do risco de colapso total.
Para conter a crise, a Prefeitura contratou uma empresa especializada para suprir a demanda. No entanto, até o momento, segundo fiscalização do vereador Luís Fernando Braite (PDT) a empresa só disponibilzou dois médicos para atender no Pronto-Socorro, para uma cidade com mais de 100 mil habitantes.
E ainda assim, serviços fundamentais seguem paralisados, como a Pediatria, enquanto outros, que já foram referência, hoje funcionam de forma reduzida. A gravidade do momento ocasionou, inclusive, na saída da antiga gestora do hospital.
Em entrevista exclusiva ao Fronteira 360, o vereador Luís Fernando Braite (PDT), que recentemente propôs a abertura de uma CPI da Santa Casa, atribuiu o atual estado da instituição à má gestão dos recursos públicos, afirmando que os repasses estaduais, federais e municipais seguem sendo feitos normalmente.
“Somente esse ano já foram 17 milhões só do município. Não há repasse atrasado do Estado do Rio Grande do Sul ou do Governo Federal”, destacou.
Sobre a proposta de criação de uma CPI da Santa Casa, Braite afirma que o intuito é trazer transparência e averiguar possíveis irregularidades. No entanto, a ideia vem enfrentando resistência.
“Para a classe política de Uruguaiana, falar em CPI é que nem falar em água benta para um vampiro”, declarou.
Segundo ele, parte da resistência teria relação com o aumento expressivo no número de servidores do hospital, justamente em um momento em que serviços foram reduzidos e um andar inteiro foi fechado.
“É cabide de emprego. É nítido. Então a classe política se alvoroçou por isso”, ressaltou.
A pressão popular em torno da CPI, no entanto, foi tanta que uma vereadora chegou a registrar boletim de ocorrência, alegando estar sendo coagida a assinar o pedido de abertura da investigação, o que Braite nega.
“A cobrança que eles estão levando hoje é consequência dos atos deles. Eles tem que arcar com seus atos”, afirmou.
Para Braite, a saída só virá com uma intervenção direta do Estado: “É só o Estado do Rio Grande do Sul que pode encampar e realmente alinhar, até mesmo fazendo uma auditoria”, avaliou.
Veja a entrevista completa:



