A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul confirmou parte das declarações de executivos que relataram pagamentos de propina envolvendo empresas do grupo Aegea, conglomerado que anos depois assumiria o controle da Corsan. O relatório final da investigação foi encaminhado à Justiça, e agora cabe ao Ministério Público decidir se apresenta denúncia.
Segundo o documento do Dracco, ao menos R$ 4,5 milhões teriam sido repassados por meio de operações consideradas suspeitas. Parte dos valores, R$ 1,4 milhão, teria sido destinada ao MDB nas eleições de 2012, quando o partido tentou manter o comando da Prefeitura de Campo Grande. Naquele ano, o então prefeito Nelsinho Trad deixou o cargo, e o candidato Giroto (MDB) acabou derrotado por Alcides Bernal (PP).
A investigação também detalha a compra de uma estação de tratamento de esgoto (ETE) em Dourados pela empresa Águas de Guariroba, pertencente à Aegea, por R$ 4,5 milhões.
O caso gerou estranheza, já que a Aegea não atuava naquele município. “Até o momento, não foi possível identificar a ETE, o local onde ela estaria, bem como se ela realmente existiu”, afirmam os policiais que assinam o relatório final do inquérito que investiga desvio e lavagem de dinheiro.
Ainda segundo o documento, há contratos de locação de máquinas que somariam R$ 30 milhões entre 2011 e 2015, considerados “forjados” para justificar repasses a empresas ligadas ao empreiteiro João Amorim, investigado na Operação Lama Asfáltica. Quem repassou as informações ao Ministério Público foi o então consultor da Aegea Carlos Antonio Bernert.
Os policiais também apontam saques fracionados de R$ 99 mil que totalizaram R$ 1,18 milhão, além de cheques que somaram R$ 1,2 milhão, e pagamentos de R$ 326 mil em livros do advogado André Pulcinelli Júnior, filho do ex-governador André Puccinelli, às vésperas das eleições de 2014.
A Polícia Civil indiciou investigados por desvio e lavagem de dinheiro. O senador Nelsinho Trad afirmou não ser investigado no STJ nem alvo de procedimento na PGR. A empresa declarou ao mercado que reforça seu compromisso com a integridade corporativa.
O caso refere-se exclusivamente a fatos apurados em Mato Grosso do Sul.
Com informações do UOL.
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