Há relatos de problemas resultados em Bagé também teriam acontecido em Uruguaiana
Após as reclamações de candidatos e o registro de boletins de ocorrência por falhas na aplicação do concurso público da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), realizado em Bagé, o Instituto Access, banca responsável pelo certame, divulgou nota oficial na qual minimiza os problemas relatados e sustenta que não houve prejuízo à lisura do processo seletivo.
Na manifestação, o Instituto afirma que foi identificada apenas “de forma pontual, uma inconsistência na distribuição dos tipos de cadernos de prova em duas salas de aplicação”, destacando que a situação teria sido percebida ainda no início da prova, “antes da consolidação da realização do exame pelos candidatos”.
Segundo a banca, assim que o problema foi comunicado à coordenação, foram avaliadas alternativas técnicas previstas nos atos normativos do concurso e nos procedimentos operacionais padrão. De acordo com o Instituto, essas medidas “permitiriam a regularização da aplicação, sem qualquer prejuízo à isonomia, à lisura e ao sigilo do processo seletivo”, inclusive com a possibilidade de concessão de tempo adicional.
Em outro trecho da nota, o Instituto Access transfere parte da responsabilidade aos próprios candidatos, ao lembrar que o edital do concurso estabelece ser dever do inscrito conferir o cargo, o tipo de prova e as informações constantes no caderno e no cartão-resposta antes do início do exame.
Conforme o texto, “devendo qualquer inconsistência ser comunicada imediatamente à equipe de aplicação”.
Apesar disso, a banca afirma que “um pequeno grupo de candidatos destas duas salas optou, por decisão própria, em não dar continuidade à realização da prova”, mesmo após a apresentação de soluções técnicas consideradas viáveis pela organização.
O Instituto também nega qualquer comprometimento da segurança do certame. Na nota, sustenta que “não houve violação do sigilo, do ineditismo ou da integridade das provas” e que tampouco faltaram instrumentos de avaliação.
A banca acrescenta que “todos os procedimentos de segurança foram mantidos” e que a saída dos candidatos do local de prova ocorreu “estritamente dentro dos horários regulamentares previstos em edital”.
Por fim, o Instituto Access informa que está realizando o registro formal da ocorrência, a apuração administrativa interna dos fatos e a adoção das medidas legais e normativas cabíveis.
A banca afirma que as providências têm como objetivo “resguardar os princípios fundamentais da administração pública, especialmente a isonomia, a legalidade e a segurança jurídica” para os mais de 10 mil candidatos inscritos no concurso.
Relatos em comentários indicam falhas também na aplicação das provas em Uruguaiana
Além dos problemas registrados em Bagé, comentários publicados na reportagem inicial do Fronteira 360 sobre as falhas no concurso da Unipampa apontam que situações semelhantes teriam ocorrido também em Uruguaiana, especialmente no turno da manhã.
Uma candidata relatou desorganização e falta de orientação da equipe de aplicação. Segundo ela, as fiscais “estavam perdidas” e não sabiam como proceder. Inscrita para o cargo de enfermeiro, a candidata afirmou ter recebido inicialmente uma prova com questões de biólogo, que acabou sendo recolhida e redistribuída, com início do exame às 8h27.
O relato menciona ainda grosseria da fiscal geral com fiscais de sala, na presença dos candidatos.
Outros comentários descrevem redistribuição de provas antes do início oficial, conversas em tom alto entre fiscais e ausência de orientações claras no início e no encerramento da prova.
Apesar do estresse, alguns candidatos afirmaram ter conseguido concluir o exame. Há também relatos de prejuízo emocional e financeiro, com familiares relatando desrespeito após meses de preparação e deslocamento. Os depoimentos contrastam com a versão do Instituto Access, que sustenta que a inconsistência ocorreu de forma pontual e sem prejuízo à isonomia do certame.
NOTA DE ESCLARECIMENTO – INSTITUTO ACCESS
O Instituto Access, banca organizadora do concurso público da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), vem a público esclarecer os fatos relacionados à aplicação das provas objetivas realizadas no dia 1º de fevereiro de 2026.
Durante a aplicação das provas, foi identificada, de forma pontual, uma inconsistência na distribuição dos tipos de cadernos de prova em duas salas de aplicação. A situação foi percebida ainda no início da prova, antes da consolidação da realização do exame pelos candidatos.
Imediatamente após a comunicação da ocorrência à coordenação, foram analisadas alternativas técnicas previstas nos atos normativos do certame e nos procedimentos operacionais padrão, que permitiriam a regularização da aplicação das provas sem prejuízo à isonomia, à lisura e ao sigilo do processo seletivo, inclusive com a possibilidade de concessão de tempo adicional, se necessário.
O Instituto Access ressalta que o edital do concurso estabelece que é responsabilidade do candidato conferir atentamente o cargo, o tipo de prova e as demais informações constantes no caderno de provas e no cartão-resposta antes do início do exame, devendo qualquer inconsistência ser comunicada imediatamente à equipe de aplicação.
Ainda assim, um pequeno grupo de candidatos das duas salas envolvidas optou, por decisão própria, por não dar continuidade à realização da prova, mesmo após a apresentação das soluções técnicas consideradas viáveis pela organização.
Ressalta-se que não houve violação do sigilo, do ineditismo ou da integridade das provas, tampouco falta de instrumentos de avaliação. Todos os procedimentos de segurança foram mantidos, e a saída dos candidatos da unidade ocorreu estritamente dentro dos horários regulamentares previstos em edital.
O Instituto Access informa que está realizando o registro formal da ocorrência, a apuração administrativa interna dos fatos e a adoção das medidas legais e normativas cabíveis, reafirmando seu compromisso com a legalidade, a transparência e a idoneidade dos concursos públicos sob sua responsabilidade, com vistas a resguardar os princípios da administração pública, especialmente a isonomia, a legalidade e a segurança jurídica dos mais de 10 mil candidatos inscritos no certame.



