O artesão Uiler Vacari, de 40 anos, está de passagem por São Borja com sua produção artesanal feita em madeira reaproveitada. Natural de Flores da Cunha, mas morador de Torres há mais de duas décadas, Uiler vive exclusivamente da arte há 15 anos e já passou por mais de 100 cidades em todo o Brasil levando seu trabalho.
“Eu e minha esposa produzimos 90% das peças. Ela fica em casa com as crianças e eu saio para vender”, conta ele, que viaja em um motorhome adaptado, onde mantém estrutura completa de moradia e espaço para os produtos. Com a aproximação do inverno, Uiler se concentra em cidades do Rio Grande do Sul, mas no fim do ano parte para o Nordeste, onde costuma permanecer até três meses.
A produção começou ainda na juventude, quando o pai, falecido, tinha uma loja de móveis. “Comecei fazendo nichos, depois descobri a arte dos bichinhos — araras, tucanos — e estou nisso há 10 anos”, lembra. A cada 15 dias, ele alterna entre a criação das peças e a comercialização nas cidades por onde passa.
Entre os itens oferecidos estão nichos de R$ 20 a R$ 80, araras de até R$ 150, cuias e bombas, gamelas e até móveis pequenos. Toda a matéria-prima utilizada é, majoritariamente, reaproveitada. “Se fosse comprar tudo novo, o custo inviabilizaria. Com madeira reaproveitada, consigo manter o preço acessível e ainda arcar com a logística, que inclui combustível, alimentação e manutenção do veículo”, explica.
Com dois filhos, Uiler afirma que o artesanato é sua única fonte de renda. “Não é com luxo, mas é uma vida digna. O segredo é planejamento. Não é o quanto você ganha, é o quanto você gasta”, ensina. Essa organização é o que permite a ele manter uma estrutura sólida e ampliar o alcance da sua arte. “Hoje consigo ir mais longe. Uns anos atrás, não dava.”
Em São Borja desde terça-feira (10), Uiler deve seguir viagem ainda neste fim de semana, rumo a Itaqui e depois Uruguaiana, dependendo do tempo. “Venho para cá todo ano, sempre na mesma época. Como são muitas cidades no Rio Grande do Sul, demoro quase um ano para retornar a cada uma”, afirma.
Com fala tranquila e olhar confiante, Uiler Vacari não tem dúvidas sobre o caminho que escolheu: “Para viver disso, tem que gostar de viajar, de produzir e de vender. E tem que ter atitude. Hoje, comprar e revender não dá mais margem. É a arte mesmo que sustenta.”
Se você ficou interessado em conhecer mais e adquirir uma de suas peças, Uiler está expondo seu trabalho em frente ao Parcão.



