Um ataque de Israel à Cidade de Gaza na noite deste domingo (10) resultou na morte de pelo menos seis jornalistas, incluindo cinco profissionais da emissora do Catar Al Jazeera. Segundo a rede, a ofensiva atingiu uma tenda que abrigava repórteres em frente ao portão principal do Hospital al-Shifa, um dos principais centros de atendimento da região.
As vítimas identificadas são Anas al-Sharif, Mohammed Qreiqeh, Ibrahim Zaher, Mohammed Noufal e Moamen Aliwa, todos ligados à Al Jazeera, além de Mohammad al-Khaldi, descrito pela organização Repórteres Sem Fronteiras como “criador de um canal de notícias no YouTube”.
Israel admitiu o ataque e afirmou que Anas al-Sharif, alvo principal da ação, teria supostas ligações com o grupo Hamas — alegação negada veementemente pela Al Jazeera. Pouco antes de ser morto, Al-Sharif publicou em sua conta no X relatos sobre intensos bombardeios na região e deixou uma mensagem emocionante em vídeo, na qual afirma ter vivido a dor e a perda, mas nunca hesitado em transmitir a verdade.
A Al Jazeera condenou o ataque como “mais um flagrante e premeditado atentado contra a liberdade de imprensa” e pediu à comunidade internacional medidas urgentes para deter o “genocídio em curso” e os ataques deliberados contra jornalistas.
Desde outubro de 2023, Israel vem acusando jornalistas palestinos em Gaza de ligações com o Hamas, em uma estratégia criticada por grupos de direitos humanos como forma de desacreditar denúncias contra ações israelenses.
Estima-se que pelos menos 242 profissionais da imprensa já tenham sido mortos desde o início do conflito em Gaza, em 7 de outubro de 2023. O número evidencia um sistema de ataques deliberados contra profissionais de imprensa, quem em menos de dois anos já deixou mais mortos do que diversos conflitos recentes.
Para efeito de comparação, a Guerra do Iraque, considerada um dos conflitos mais perigosos para a imprensa neste século, resultou na morte de cerca de 150 jornalistas ao longo de oito anos.
Outros conflitos como o Vietnã e a Síria também tiveram perdas significativas, porém menores: aproximadamente 63 e 100 jornalistas mortos, respectivamente.
Esse dado evidencia a gravidade da situação na região e os riscos extremos enfrentados pelos profissionais da imprensa que cobrem o que diversas organizações humanitárias e a própria ONU já consideram que genocídio contra o povo palestino.



