O município de Rosário do Sul, na região sudoeste do Estado, vive nos últimos dias um episódio de tensão política após a Câmara de Vereadores homologar a compra de smartphones de alto custo, incluindo iPhones de última geração, por quase R$ 50 mil reais. A aquisição, destinada à Presidência e à Assessoria de Imprensa, provocou reação imediata de moradores, dividiu opiniões e colocou o Legislativo no centro de críticas sobre prioridades no uso de recursos públicos.
Conforme os registros administrativos, foram adquiridos três iPhone 17 Pro Max (256GB) e dois Xiaomi F8 Pro (12GB RAM/256GB), pelo valor unitário de R$ 12.200, totalizando R$ 36.600. Também foram compradas duas unidades do Xiaomi F8 Pro (12GB/256GB) ao custo de R$ 4.615 cada, somando R$ 9.230. Ao todo, o investimento atingiu R$ 45.830.
A contratação foi formalizada com base em procedimento previsto na legislação de compras públicas. Até o momento, a documentação analisada não aponta irregularidade formal, mas o investimento passou a ser alvo de questionamentos pela população local.
Entre as manifestações, moradores relacionaram o gasto ao cenário enfrentado por serviços essenciais no município. Uma publicação amplamente compartilhada afirmou:
“Enquanto médicos do nosso único hospital enfrentam meses de salários atrasados e a dívida com a saúde chega a milhões, a Câmara acha justo gastar R$ 45.830 em cinco celulares de luxo. É um tapa na cara do cidadão.”
Outros comentários demonstraram indignação com a aplicação de recursos públicos e críticas à percepção de distanciamento entre representantes e realidade social: “Um município com tantas demandas não tem esse cacife todo. Nossos representantes perdem a essência e depois não sabem por que não se reelegem.”
Além das críticas diretas, parte das reações adotou tom irônico, comparando a aquisição a programas sociais e políticas públicas, e afirmando que se trataria de uma espécie de “auxílio iPhone”. Um dos comentários que circulou nas redes dizia:
“Nova política pública lançada: Programa Meu iPhone, Minha Vida. Porque afinal, quem precisa de rua sem buraco, remédio no posto ou escola estruturada quando se pode investir em tecnologia de ponta? Vai ver é inclusão digital… só esqueceram de incluir a população.”
Em contraponto às críticas, o vereador Jeferson Ortiz (PSDB) afirmou ter solicitado um dos aparelhos e assumiu publicamente o pedido. Segundo ele, o smartphone é ferramenta de trabalho para produção de conteúdo e fiscalização. O parlamentar destacou a transparência do processo e declarou que a aquisição seguiu trâmites oficiais, ressaltando que as informações estão disponíveis em edital e registros públicos.
“Eu fui um dos que solicitei um iPhone 17 Pro Max desse modelo. E eu assumo, eu fiz esse pedido e eu fui atendido. Eu trabalho com rede social desde 2020, é o meu instrumento de trabalho. Você pode até questionar o valor, mas foi uma solicitação minha”, declarou em vídeo.
A repercussão evidencia pressão por explicações sobre critérios e prioridades adotados na decisão. Especialistas em gestão pública destacam que, mesmo quando uma contratação segue os trâmites legais, a discussão sobre conveniência, necessidade e moralidade administrativa integra o controle democrático exercido pela sociedade.
A reportagem mantém espaço aberto para manifestação da Câmara de Vereadores sobre a justificativa técnica da aquisição, eventual impacto orçamentário e outros esclarecimentos oportunos.



