A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 6,133 bilhões em agosto, alta de 3,9% em relação ao mesmo mês de 2024. O resultado veio no primeiro mês de vigência da sobretaxa de 50% aplicada pelos Estados Unidos a diversos produtos nacionais. Apesar do avanço, as exportações para o mercado americano despencaram 18,5% no período, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (4) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Superávit comercial é quando o país exporta mais do que importa em um determinado período. Ou seja, o valor das vendas ao exterior (exportações) é maior do que o das compras (importações). Esse saldo positivo indica que está entrando mais dinheiro no país do que saindo nas transações de comércio exterior.
As exportações totais somaram US$ 29,8 bilhões, contra US$ 28,7 bilhões um ano antes. O desempenho foi impulsionado pelo agronegócio e pela indústria extrativista. Carne bovina (+56%) e ouro (+55,9%) foram os destaques. Já as importações caíram 2% e fecharam em US$ 23,7 bilhões.
No acumulado de janeiro a agosto, o Brasil exportou US$ 227,5 bilhões (+0,5%) e importou US$ 184,7 bilhões (+6,9%). O saldo no ano chega a US$ 42,8 bilhões. A corrente de comércio avançou 1,2% em agosto.
O impacto do tarifaço americano, porém, foi imediato. As vendas brasileiras para os EUA caíram de US$ 4,4 bilhões em agosto de 2024 para US$ 4 bilhões no último mês. O tombo atingiu setores estratégicos: não houve exportação de minério de ferro; açúcar recuou 88,4%; aeronaves e peças, -84,9%; carne bovina fresca, -46,2%; e celulose, -22,7%. Enquanto isso, as importações de produtos americanos subiram 4,6%, para US$ 3,9 bilhões.
A sobretaxa de 50% entrou em vigor em 6 de agosto. Ela adicionou 40% às tarifas de 10% já aplicadas desde abril, atingindo produtos como carnes, café, pescados, açúcar, cacau e frutas tropicais. Castanhas, suco de laranja e itens da aviação civil ficaram de fora.
Segundo a ordem executiva do presidente Donald Trump, a medida foi adotada em resposta a ações do governo brasileiro que, na visão da Casa Branca, ameaçam a “segurança nacional e a política externa” dos EUA. O documento citou diretamente o ministro do STF Alexandre de Moraes e o ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando os processos judiciais contra o ex-mandatário como “perseguição e intimidação”. Também criticou decisões judiciais brasileiras contra big techs, descritas como tentativas de “coagir empresas americanas” e “censurar discursos políticos”.
Enquanto as vendas para os EUA encolheram, outros mercados ajudaram a sustentar o saldo positivo. Para a União Europeia, houve queda de 11,9%, e para o Canadá, de 10,7%. Em contrapartida, as exportações para o México cresceram 43,8%. Já o grupo formado por China, Hong Kong e Macau foi o principal destino em agosto, com avanço de 29,9% (US$ 9,5 bilhões) puxado por carne bovina, petróleo, soja, açúcar e minério de ferro.



