A Bancada do PT na Câmara de Vereadores de São Borja divulgou, nesta quarta-feira (4), uma nota de esclarecimento após a denúncia do Ministério Público contra o vereador Paulo “Orelha” (PT) por intolerância religiosa, relacionada a falas feitas em sessão legislativa.
No texto, a bancada afirma que o parlamentar reconheceu o erro e fez um pedido público de desculpas. “Logo após a sua fala e ao dar-se conta do erro, pediu publicamente perdão”, diz a nota, ao admitir que as declarações “foram inadequadas e podem ter ferido sentimentos religiosos”.
O comunicado também sustenta que não houve intenção discriminatória. Segundo a bancada, “o erro cometido foi de forma, e não de conteúdo moral”, afirmando ainda que “não houve, em nenhum momento, o dolo ou a intenção de incitar o ódio ou a intolerância”.
Ao final, o texto reforça o respeito às instituições e informa que o vereador está à disposição para colaborar com as apurações. “Manifestamos nosso total respeito ao Ministério Público”, registra a nota, que também reafirma o compromisso do parlamentar em “policiar sua fala para que sua atuação reflita apenas o amor e o respeito por cada cidadão, independentemente de sua fé”.
📄 Leia a nota na íntegra e confira o posicionamento completo da Bancada do PT sobre o caso.
A Bancada do PT na Câmara de Vereadores de São Borja vem a público reiterar seu profundo respeito a todas as crenças e manifestações religiosas, bem como prestar esclarecimentos sobre os recentes fatos que motivaram a atuação do Ministério Público (MP) em razão de um pronunciamento na tribuna do vereador Paulo “Orelha” (PT).
- O Reconhecimento do Equívoco
Em primeiro lugar, o Vereador, logo após a sua fala e ao dar-se conta do erro, pediu publicamente perdão. Ele reconhece que suas palavras foram inadequadas e que, independentemente da intenção, podem ter ferido sentimentos religiosos. O parlamentar compreende que o mandato exige um cuidado exemplar com a linguagem, dever do qual não se esquiva em hipótese alguma. - A Origem e o Contexto Social
É fundamental contextualizar que a trajetória do Vereador é indissociável de sua origem popular. Formado na “faculdade da vida”, interagindo permanentemente com a falta de acesso ao banco escolar, Paulo vive no convívio direto da base da pirâmide social. Sua comunicação é reflexo das periferias mais pobres, das pessoas mais humildes, dos pescadores, catadores e trabalhadores que movem nossa cidade.
Muitas vezes, expressões do “senso comum” e termos impregnados por um preconceito estrutural — que a nossa sociedade ainda luta para superar — acabam sendo reproduzidos por aqueles que não tiveram acesso a uma formação acadêmica erudita. No caso presente, houve uma infelicidade na expressão, fruto de uma limitação linguística e cultural, e jamais de má-fé ou desejo consciente de discriminar.
- Ausência de Intenção Discriminatória (Dolo)
Quem conhece a história de vida e a atuação parlamentar de “Orelha” sabe que seu gabinete e seu coração sempre estiveram abertos a todos, sem distinção de credo. Sua luta política é pela dignidade humana e pelos direitos dos mais vulneráveis. O erro cometido foi de forma, e não de conteúdo moral. Não houve, em nenhum momento, o dolo ou a intenção de incitar o ódio ou a intolerância. - Respeito às Instituições
Manifestamos nosso total respeito ao Ministério Público. Reconhecemos a importância vital desta instituição na defesa do Estado Democrático de Direito e na proteção da liberdade religiosa. O Vereador coloca-se à inteira disposição para colaborar com o que for necessário, vendo este episódio como uma oportunidade de aprendizado e evolução pessoal.
O vereador Paulo “Orelha” reafirma textualmente o compromisso em seguir representando o povo de São Borja com humildade, buscando, a partir de agora, policiar sua fala para que sua atuação reflita apenas o amor e o respeito que nutre por cada cidadão, independentemente de sua fé.
São Borja/RS, 04 de fevereiro de 2026.
Renê Ribeiro Vereador – Líder da Bancada do PT



