No jornalismo, nem sempre é o que se diz que repercute. Muitas vezes, é o silêncio que fala mais alto — especialmente quando vem de políticos e gestores públicos. Afinal, o contato com a imprensa faz parte da função de quem ocupa cargos públicos. Mas, é claro, ninguém é obrigado a falar.
Foi com esse espírito que, nesta semana, após acompanhar a já desgastada CPI da Corsan — levada a sério pelos vereadores, mas ignorada pela empresa, que sequer compareceu à última sessão —, passei pela Praça XV de Novembro.
Ali, acontecia um evento bonito: livros, brechós, obras de arte, alusivo ao Dia do Patrimônio Histórico. Boa oportunidade para divulgar cultura, pensei. É disso que se trata meu trabalho: dar visibilidade ao que movimenta a comunidade. Para minha surpresa, a secretária de Educação e Cultura estava presente. Melhor fonte, impossível.
Esperei com paciência o fim da conversa que ela mantinha com outras pessoas e me aproximei de forma cordial:
— “Secretária, estou fazendo uma reportagem sobre o evento. Poderia me dar uma palavrinha?”
A resposta foi seca: “Não, agora não posso.” Perguntei se poderia voltar mais tarde. Nova negativa. Insisti, como é meu dever. Outra vez: “Agora não.”
Expliquei que, nesse caso, informaria na reportagem que ela havia se recusado a falar. A declaração pareceu ofender: “Isso é o que você está dizendo”, rebateu. Mas como, se a recusa partiu dela?
Não é a primeira vez. Em outra ocasião, a secretária também se negou a falar com o Fronteira 360, quando questionada sobre as turmas multisseriadas no interior — salas que reúnem alunos de diferentes anos com apenas uma professora.
De qualquer forma, a reportagem foi ao ar com a participação de um músico da própria prefeitura, que resumiu bem: “O que nossa cidade precisa é de cultura e civilidade.”
Eis a palavra-chave: civilidade. É curioso — e lamentável — que justamente a secretária da Cultura se recuse a divulgar a Cultura. Talvez haja um motivo: São Borja não aderiu à programação oficial do Estado. Uma falha da própria pasta, que custou visibilidade em nível estadual.
Outras cidades aproveitaram a ocasião, tiveram atividades divulgadas nos canais oficiais do Governo do Estado e viraram pauta em veículos como a RBS e Globo. São Borja ficou de fora.
E aqui quero enfaticamente deixar claro: este texto não é movido por qualquer ressentimento e não tem intuito de atacar pessoalmente quem ocupa a pasta. Afinal, sequer tive a oportunidade de conversar com ela, portanto o cerne da questão aqui diz respeito a maneira como essa Secretaria, tão importante, vem sendo conduzida, especialmente na questão da cultura.
E além disso, levantar o questionamento, que não tive a oportunidade de fazer pessoalmente: por qual motivo a cidade não aderiu à programação estadual? Já que a adesão é uma mera questão de formalidade, não se trata de algo complexo ou que envolva qualquer coisa além de vontade.
E por fim, o resumo da ópera é simples: eu, como jornalista, fiz a minha parte e divulguei o evento. Se a Secretaria fez a dela, já não sei.



