Março mal começou e o ex-presidente Jair Bolsonaro já coleciona uma notícia ruim e outra, digamos, estratégica. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, negou o pedido de prisão domiciliar humanitária feito pela defesa. Mas, poucas horas depois, Bolsonaro ganhou algo que pode pesar mais no tabuleiro político do que uma mudança de endereço: o senador Flávio Bolsonaro virou oficialmente seu advogado, e com isso, passa a ter acesso irrestrito ao pai na Papuda.
A negativa de Moraes veio amparada em laudo da Polícia Federal, que apontou estabilidade clínica do ex-presidente, mesmo diante de diagnósticos como hipertensão, apneia do sono grave e aterosclerose.
Segundo o relatório, em 39 dias de custódia Bolsonaro recebeu 144 atendimentos médicos, sessões de fisioterapia e acompanhamento diário. Para o ministro, a estrutura da unidade prisional atende às necessidades de saúde do condenado e a tentativa anterior de rompimento da tornozeleira eletrônica pesou contra qualquer flexibilização.
Se a porta de casa segue fechada, a da sala de atendimento jurídico está escancarada. Pela legislação, advogados podem visitar clientes a qualquer hora, sem aviso prévio. A estratégia não é nova: quando Lula esteve preso, também nomeou seu candidato a presidência, Fernando Haddad, como seu advogado.
Até então, Flávio só podia ver o pai duas vezes por semana. Agora, poderá estar com ele diariamente, o que, em ano pré-eleitoral, transforma encontros familiares em reuniões estratégicas.
Nos bastidores, aliados admitem que decisões políticas já vinham saindo da Papuda. Com o novo crachá de advogado, Flávio não apenas encurta a distância do pai, como amplia o raio de influência do núcleo bolsonarista. No fim das contas, Bolsonaro continua onde está. Mas, se não pode ir para casa, ao menos garantiu que a política vá até ele, todos os dias, com hora livre e sem necessidade de agendamento.
Foto: Adriano Machado / Reuters.



