A Associação Nacional dos Médicos Peritos da Previdência Social (ANMP) informou que apresentou ao então presidente eleito Jair Bolsonaro, em 11 de dezembro de 2018, dados sobre fraudes e desvios no INSS. O encontro ocorreu no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, com mediação do senador Izalci Lucas (PSDB-DF).
Na reunião, a ANMP expôs irregularidades em benefícios como aposentadorias rurais e seguro-defeso, além de alertar sobre impactos do aparelhamento político e do déficit previdenciário. Francisco Cardoso, então presidente da entidade, e outros dirigentes participaram de pelo menos três encontros com a equipe de transição. Bolsonaro, segundo relatos, teria ficado surpreso com as informações.
O tema também foi levado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, onde Izalci admitiu ter sido procurado por peritos, mas sem revelar nomes. Paralelamente, a associação defendia a criação de uma carreira federal para os médicos peritos.
As denúncias se somaram a investigações conduzidas pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal (PF), que culminaram na demissão do então ministro da Previdência, Carlos Lupi. No atual governo Lula, a crise se intensificou com pressões da oposição, que tenta atribuir responsabilidades a administrações anteriores.
Como resposta às primeiras revelações, o governo Bolsonaro editou em janeiro de 2019 a Medida Provisória 871, que endureceu regras para concessão de benefícios e descontos em aposentadorias e pensões — embora tenha sido alterada pelo Congresso. O ex-ministro Onyx Lorenzoni confirmou que a ANMP levou questões relevantes à transição, mas disse não recordar de menções específicas aos descontos indevidos hoje no centro da crise.
A ANMP não comentou os desdobramentos recentes. Bolsonaro, por decisão judicial, encontra-se incomunicável. A CPMI segue acompanhando o caso para definir responsabilidades sobre as fraudes no INSS.



