A Brigada Militar afastou oito policiais do 6º Batalhão de Polícia de Choque após a morte de Guilherme Moisés Oliveira de Jesus, de 26 anos, durante uma abordagem policial na noite de sexta-feira (16), em Uruguaiana, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. A medida é preventiva e ocorre enquanto o caso é investigado por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM) e por apuração paralela da Polícia Civil.
Segundo a versão oficial da Brigada Militar, Guilherme foi abordado em via pública por apresentar atitude considerada suspeita e portar um objeto semelhante a uma arma de fogo. A corporação afirma que ele não obedeceu à ordem de parada, fugiu para dentro de casa, foi imobilizado e algemado e, nesse momento, teria passado mal. O jovem foi levado à Santa Casa de Caridade de Uruguaiana, onde a morte foi confirmada.
A família contesta essa narrativa. Em entrevista exclusiva ao Fronteira 360, a irmã da vítima, Ana Karina de Jesus Monjeló, relatou que Guilherme foi encontrado já sem vida no hospital, com múltiplos sinais visíveis de agressão, incluindo inchaço acentuado no rosto e na cabeça, hematomas pelo corpo, cortes nos punhos e presença de sangue na boca e de terra nas narinas. Segundo ela, Guilherme foi espancando até a morte.
De acordo com o relato familiar, vizinhos avisaram que a polícia havia invadido a residência. Ao chegarem ao local, a irmã e um tio encontraram o portão arrombado, a casa revirada e sem a presença de policiais ou de Guilherme. Pouco depois, conseguiram abordar uma viatura do Choque, quando os agentes informaram que o jovem teria “passado mal” e sido levado ao pronto-socorro.
No hospital, a família foi informada de que ele já havia dado entrada em óbito.
A certidão de óbito aponta causa indeterminada, mas classifica o falecimento como morte violenta, tipificação médico-legal utilizada quando o óbito decorre de ação externa, e não de causa natural. O laudo pericial definitivo deve ser entregue à família no prazo de até 15 dias.
Apesar do afastamento dos oito policiais, familiares que chegaram logo após a abordagem, incluindo a irmã de Guilherme, Ana Karina de Jesus Monjeló, que acompanhou todo o desenrolar do caso após a abordagem, ainda não foram ouvidos pelas autoridades. Segundo a família, não houve repasse de qualquer prazo para que esses depoimentos sejam colhidos, e, até o momento, apenas a mãe do jovem prestou esclarecimentos.
A Brigada Militar informou que na residência foram apreendidos uma arma, munições e uma porção de substância semelhante à cocaína. O hospital não divulgou detalhes sobre o atendimento médico.
O afastamento dos policiais ocorre enquanto são apuradas as circunstâncias da abordagem e da morte de Guilherme, caso que tem gerado forte comoção e questionamentos sobre a atuação do Batalhão de Choque no município.



