A mera possibilidade de Flávio Bolsonaro assumir a corrida presidencial de 2026 no lugar do pai foi suficiente para desarrumar o mercado financeiro nesta sexta-feira (5). Em poucas horas, investidores deixaram de olhar para o cenário externo positivo e passaram a reagir, quase em reflexo automático, ao novo movimento no núcleo bolsonarista.
O resultado foi imediato: o dólar disparou mais de 2%, encerrando o dia em R$ 5,4328, o maior patamar em quase dois meses. O Ibovespa, que amanhecera no azul embalado pelo índice de inflação PCE dos EUA dentro das expectativas, virou dramaticamente e fechou aos 157.369 pontos, em queda de 4,31% — a pior desde fevereiro de 2021.
O recado do mercado foi direto: a ideia de substituir Jair Bolsonaro por Flávio Bolsonaro não agradou. A sinalização desmonta o arranjo considerado mais sólido pelos investidores — uma chapa Tarcísio de Freitas–Michelle Bolsonaro, vista como mais competitiva, previsível e unificadora da direita. Sem esse cenário, o humor financeiro azedou.
A avaliação predominante entre analistas é que a possível candidatura de Flávio aumenta a incerteza eleitoral, fragmenta a base bolsonarista e reacende disputas internas que estavam momentaneamente acomodadas.
“A princípio, cogitava-se a candidatura de Tarcísio de Freitas, que, como governador de São Paulo, já contava com uma base eleitoral consolidada e uma projeção favorável”, explica Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.
Até indicadores positivos ficaram em segundo plano: o PIB do terceiro trimestre cresceu só 0,1%, reforçando apostas de cortes de juros em janeiro, enquanto o PCE norte-americano avançou 0,3%, alinhado às previsões. Nenhum desses dados, porém, foi capaz de competir com o terremoto político vindo de Brasília.
Com Jair Bolsonaro preso e fora do jogo por tentativa de golpe, os movimentos internos da direita se tornaram diretamente proporcional ao estresse dos mercados. E, pelo visto, o nome de Flávio Bolsonaro ainda não convenceu quem movimenta bilhões diariamente.



