Arquivos do caso Jeffrey Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos nesta sexta-feira (30) citam uma denúncia de abuso sexual envolvendo o presidente Donald Trump, relacionada a um suposto episódio ocorrido há mais de três décadas. Segundo os documentos, uma adolescente de 13 ou 14 anos teria sido forçada a praticar ato sexual com Trump no estado de Nova Jersey. Não há, entretanto, denúncia formal registrada nem confirmação de que o relato tenha resultado em investigação criminal.
As anotações oficiais indicam que a informação foi repassada às autoridades por uma pessoa que se identificou como amiga da suposta vítima. O relato descreve que a adolescente teria reagido ao abuso e comunicado o ocorrido a outras pessoas. O material foi encaminhado ao escritório do Departamento de Justiça em Washington para análise, sem que os arquivos detalhem se houve diligências posteriores ou coleta de depoimentos.
O próprio Departamento de Justiça ressalta, porém, que o conteúdo divulgado exige cautela. O conjunto faz parte de um acervo com milhões de registros brutos, reunindo denúncias não verificadas, relatos considerados sem credibilidade e documentos já identificados como falsos em liberações anteriores do caso Epstein.
Em manifestação incluída na documentação, o vice-secretário de Justiça, Todd Blanche, afirmou que alegações semelhantes já haviam sido encaminhadas ao FBI antes das eleições de 2020 e classificou esse tipo de material como infundado, afirmando que acusações com base concreta já teriam sido utilizadas judicialmente. Trump, no entanto, nunca foi formalmente acusado ou julgado em casos relacionados a Epstein, com que manteve relação próxima desde 1980.
A divulgação dos documentos ocorre após forte pressão política e institucional. Durante a campanha presidencial, Trump prometeu tornar públicos todos os registros ligados a Epstein, mas, após assumir o cargo, a liberação integral foi adiada repetidamente sob a justificativa de necessidade de revisão jurídica e proteção da identidade de vítimas.
Em novembro de 2025, o Congresso aprovou uma lei que obrigou o Executivo a divulgar os arquivos federais relacionados ao caso, levando à publicação escalonada do material.
O debate público foi ampliado após declarações do empresário Elon Musk, no início de 2025, que afirmou, que Trump estaria citado nos arquivos de Epstein e sugeriu que isso explicaria a demora na divulgação. A Casa Branca rejeitou a afirmação e reiterou que o processo de liberação seguia critérios técnicos e legais.
Quem foi Jeffrey Epstein
Jeffrey Epstein foi um financista norte-americano acusado de operar um esquema internacional de tráfico sexual de menores que envolvia aliciamento, abuso e exploração de adolescentes, sobretudo entre as décadas de 1990 e 2000.
Preso em 2019, ele foi encontrado morto em sua cela antes do julgamento, em um caso oficialmente classificado como suicídio. Os arquivos do processo mencionam diversas figuras públicas que mantiveram contato com Epstein, entre elas o ex-presidente dos EUA Bill Clinton, o príncipe Andrew, do Reino Unido, o empresário Donald Trump, o advogado Alan Dershowitz e a socialite Ghislaine Maxwell, já condenada.
Donald Trump manteve uma relação próxima e contínua com Jeffrey Epstein desde o final dos anos 1980 até meados dos anos 2000, frequentando festas, propriedades e círculos sociais em Nova York e na Flórida. Os dois foram vistos juntos em Mar-a-Lago, na mansão de Epstein em Manhattan, em eventos sociais e em gravações televisivas, além de manterem contato frequente por telefone, segundo ex-funcionários do financista.
Documentos, depoimentos e relatos reunidos pelo New York Times indicam que Epstein apresentava mulheres a Trump e se referia a ele como um amigo próximo, embora Trump negue envolvimento com os crimes do financista e afirme ter rompido a relação anos antes da prisão de Epstein.
O caso é emblemático por expor como redes de poder, dinheiro e influência podem operar por décadas em prol atos nefastos, criminosos e completamente à margem da responsabilização institucional.
Jeffrey Epstein foi encontrado morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual. Embora a morte tenha sido oficialmente classificada como suicídio, o caso segue cercado de controvérsias e teorias da conspiração que continuam a produzir repercussões políticas, institucionais e judiciais nos Estados Unidos a cada nova etapa de divulgação dos documentos.



