A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou uma ampla reforma no calendário do futebol nacional a partir de 2026. As mudanças atingem diretamente os dois principais torneios do país — o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil — e também ampliam as competições para clubes de menor expressão, criando novas oportunidades regionais.
O Brasileirão começará em 28 de janeiro, dois meses antes do habitual, e se estenderá até dezembro. Pela primeira vez, a competição vai ocorrer simultaneamente aos Estaduais por cerca de um mês e meio.
O torneio será paralisado em maio devido à Copa do Mundo de 2026, que acontecerá nos EUA, México e Canadá, com uma pausa de 55 dias até julho. Depois, seguirá até o fim do ano.
A Copa do Brasil, por sua vez, passará a ter final em jogo único, em sede previamente definida, tornando-se a última partida da temporada após o fim do Brasileiro. Outra novidade é que as fases iniciais até a quarta rodada serão em jogo único.
Só a partir das oitavas de final, quando entram os clubes que disputam a Libertadores e a Sul-Americana, os confrontos voltarão a ser em ida e volta.
Além disso, a Copa do Brasil terá um aumento expressivo de participantes: de 92 para 126 clubes. Todos os times da Série A terão vaga garantida, eliminando riscos para equipes como o Botafogo, que até então não tinham entrada assegurada.
Nos Estaduais, a CBF cortou de 16 para 11 as datas disponíveis para times da Série A. O prazo de encerramento será 8 de março, com início em 11 de janeiro. Estados que não possuem clubes na primeira divisão terão maior flexibilidade para definir seu formato.
Outro ponto central da reforma é a criação de uma nova competição regional: a Copa Sul-Sudeste, que se junta à já existente Copa Verde e à ampliada Copa do Nordeste (agora com 20 clubes, mas sem a participação de times que disputem torneios continentais, como aconteceu em 2025 com Bahia e Fortaleza).
A Copa Sul-Sudeste reunirá 12 clubes dos estados do Sul (RS, SC e PR) e do Sudeste (SP, RJ, MG e ES). Assim como na Copa do Nordeste, os times classificados para a Libertadores ou Sul-Americana não poderão participar da nova competição.
Já os clubes da elite que não obtiverem vaga internacional poderão escolher se entram ou não no torneio, abrindo espaço também para times médios e pequenos da região. O objetivo é garantir calendário e visibilidade para equipes que, fora dos Estaduais, muitas vezes passam meses sem atuar.
Além disso, a CBF ampliará o número de participantes das divisões inferiores. A Série C, hoje com 20 clubes, será gradualmente expandida até chegar a 28 equipes em 2028. A Série D, por sua vez, terá um salto ainda maior: de 64 para 96 times, ampliando o calendário competitivo para centenas de clubes pelo país.
Segundo o presidente da entidade, Samir Xaud, as mudanças eram inevitáveis:
“Tivemos que cortar na própria carne. Mas a CBF não tinha mais tempo. As alterações eram necessárias. Reduzimos a carga de jogos da elite e ampliamos oportunidades para os times menores. É uma questão de justiça esportiva, desenvolvimento sustentável e equilíbrio.”
O diretor de competições da CBF, Julio Avellar, comparou o desafio a um quebra-cabeça impossível:
“O calendário anterior estava insustentável. Era como tentar colocar um elefante dentro de uma casinha de cachorro.”
As novas regras valem para o ciclo até 2029, período que será impactado por grandes eventos internacionais: Copa do Mundo de 2026, Copa Feminina de 2027, Copa América de 2028 e a nova Copa do Mundo de Clubes em 2029.



