Além da investigação aberta pela Polícia Federal para apurar suspeitas de superfaturamento e pagamentos indevidos em serviços contratados pela Prefeitura de Lajeado, apuração que culminou no afastamento do ex-prefeito Marcelo Caumo (União) de um cargo no governo estadual, o caso ganhou outro frente de pressão.
A Câmara de Vereadores instaurou em outubro uma CPI para examinar um amplo conjunto de obras realizadas após as enchentes que atingiram o Vale do Taquari, incluindo intervenções concluídas ainda na gestão de Caumo e outras já sob comando da atual prefeita Gláucia Schumacher (PP).
As suspeitas se concentram principalmente em contratos vinculados à PDS Obras Ltda., responsável por cerca de 500 pequenos reparos executados em diferentes bairros da cidade, muitos deles decorrentes dos estragos causados pelas cheias de 2023 e 2024. Segundo a comissão, 106 intervenções apresentam indícios de irregularidades, con serviços pagos e não entregues a diferenças claras entre projeto e execução.
O secretário da CPI, vereador Eder Spohr (MDB), afirma que as primeiras vistorias técnicas já confirmam problemas. “As medições mostram uso de materiais de baixa qualidade e discrepâncias relevantes entre o que está nos contratos e o que foi feito”, relata.
Ele cita o caso de um muro na rua Carlos Fett Filho, que teria sido remunerado com apenas uma pequena fração concluída, e a pintura do Parque de Eventos, registrada como realizada, mas que, segundo a CPI, jamais ocorreu. Para aprofundar as verificações, os vereadores contrataram uma engenheira responsável por analisar ponto a ponto os serviços investigados.
A prefeita Gláucia afirma, em nota, que determinou a abertura de procedimento administrativo antes mesmo do início da CPI. Ela diz ter suspendido os pagamentos à PDS, retido valores já liberados e instaurado uma sindicância para responsabilização de empresas e servidores, caso necessário.
Além das apurações legislativas e federais, o Ministério Público Estadual também conduz investigação sobre possíveis irregularidades nos contratos emergenciais assinados ao longo das duas administrações. Já a empresa PDS nega qualquer fraude, apresentou documentos à CPI e sustenta que cumpriu integralmente as obras previstas.
Informações de GZH.



