Mesmo preso, Jair Bolsonaro segue ditando as regras do jogo político dentro do PL. A determinação do ex-presidente é clara: Carlos Bolsonaro deve ser candidato ao Senado por Santa Catarina em 2026. Caso a ordem não seja cumprida, a direção nacional do partido admite intervir no diretório catarinense.
A exigência foi transmitida à cúpula do PL em Brasília e passou a ser tratada como missão a ser executada, ainda que gere constrangimento interno e risco eleitoral. O governador de Santa Catarina e presidente estadual do partido, Jorginho Mello, já foi avisado de que pode perder o controle da sigla caso não viabilize a candidatura do filho do ex-presidente.
A possibilidade de intervenção expõe o grau de centralização das decisões no PL e reforça que, mesmo atrás das grades, Bolsonaro continua exercendo comando político direto, especialmente sobre as vagas ao Senado, consideradas estratégicas para enfrentar o STF a partir de 2027.
Nos bastidores, a executiva nacional tenta ganhar tempo para evitar o desgaste de uma intervenção formal. Jorginho é aliado histórico do bolsonarismo e tem relação antiga com Valdemar Costa Neto, presidente do partido e responsável por assinar qualquer medida extrema. Ainda assim, cresce o receio de que a imposição gere reação negativa no eleitorado catarinense.
Embora Santa Catarina tenha votado majoritariamente à direita nas últimas eleições, a rejeição ao nome de Carlos Bolsonaro é significativa. Lideranças políticas, empresariais e do agronegócio veem com desconfiança a tentativa de importar um candidato sem vínculo eleitoral com o estado, o que pode resultar em perda de apoio e votos.
É nesse cenário que entra Esperidião Amin (PP). Senador que tenta a reeleição, Amin é relator do projeto que trata da dosimetria das penas, peça-chave na articulação por uma anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, movimento que também beneficiaria Jair Bolsonaro. Após atuar diretamente para construir uma saída política e jurídica para o bolsonarismo, o senador agora vê sua candidatura ameaçada pela imposição do nome de Carlos, num gesto lido nos bastidores como falta de reciprocidade e descarte político.
O movimento também ameaça diretamente a deputada federal Carol de Toni, hoje líder nas pesquisas para o Senado. Com forte identificação local e capital político acumulado à frente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, ela já sinalizou que pode deixar o PL caso seja descartada. As sondagens indicam que, fora da sigla, ainda assim teria grandes chances de vitória.
A imposição de Carlos Bolsonaro acabou, inclusive, fortalecendo Carol de Toni. Entre militantes e lideranças da direita catarinense, ganhou força o discurso de que “catarinense vota em catarinense”, sentimento que passou a ser canalizado em favor da deputada.
O episódio escancara uma contradição dentro do PL: ao tentar garantir uma candidatura por imposição familiar, o partido corre o risco de perder justamente a vaga que pretende usar como trincheira política no Senado. Tudo isso por uma ordem que, segundo aliados, foi direta e inequívoca, vinda da Papuda.



