O Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (PT/RS) encaminhou à Comissão de Ética o caso do vereador Paulo Orelha (PT), de São Borja, e informou que o colegiado avaliará as medidas disciplinares cabíveis após as declarações do parlamentar associando atos de vandalismo em cemitérios a religiões de matriz africana.
As falas, feitas durante sessão da Câmara Municipal, foram classificadas pelo partido como uma “demonstração de intolerância religiosa e desrespeito à diversidade cultural e religiosa do país”. Mesmo após intervenção do presidente da Câmara, Orelha voltou a repetir as expressões consideradas ofensivas.
Em nota pública de repúdio divulgada nesta segunda-feira (7), o PT/RS afirmou que a conduta do vereador é “incompatível com os princípios de respeito, convivência democrática e pluralidade” que norteiam a legenda.
A direção estadual reforçou que o caso será apurado conforme o Estatuto do partido e que o PT “não se limita ao repúdio público, mas atua de forma concreta para assegurar que seus filiados respeitem os princípios éticos, políticos e democráticos”.
Além da repercussão interna no partido, o caso também deve se tornar alvo de uma ação criminal. O representante das religiões de matriz africana em São Borja, Ricardo Soares, o Pai Rick, registrou um boletim de ocorrência contra o vereador e afirmou que pretende ingressar judicialmente por crime de intolerância religiosa.
Em entrevista ao jornalista Luciano Resmini, ele declarou que a fala do parlamentar “ofende toda uma comunidade religiosa” e destacou a necessidade de responsabilização para coibir discursos discriminatórios.
O texto do PT/RS ainda reafirma o compromisso do partido com a liberdade de crença, a pluralidade religiosa e o combate a toda forma de preconceito e discriminação, lembrando que manifestações de intolerância configuram crime previsto na Lei nº 7.716/1989.



