As estatais federais encerraram o acumulado de janeiro a novembro de 2025 com um déficit recorde de R$ 6,3 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado negativo é o maior já registrado para o período desde a mudança metodológica adotada em 2009, quando empresas como Petrobras e Eletrobras passaram a ficar fora do cálculo.
O governo federal atribui parte do crescimento do rombo ao aumento dos investimentos realizados pelas estatais, especialmente em áreas estratégicas. Ainda assim, o desempenho financeiro deteriorado de algumas companhias, com destaque para os Correios, foi decisivo para puxar o resultado geral para baixo.
Na comparação histórica, o número chama atenção. No mesmo intervalo de 2024, o déficit havia sido de R$ 6 bilhões, enquanto em 2023 o saldo negativo ficou em apenas R$ 343 milhões. Já em 2022 e 2021, as estatais federais haviam apresentado superávit, de R$ 4,5 bilhões e R$ 3,2 bilhões, respectivamente, o que reforça a reversão recente no desempenho fiscal do setor.
A situação dos Correios é apontada como um dos principais focos de preocupação. A estatal enfrenta dificuldades de caixa e anunciou a necessidade de R$ 8 bilhões adicionais em 2026 para viabilizar um plano de reestruturação financeira. A forma de obtenção desses recursos ainda está em análise, podendo envolver aportes do Tesouro Nacional ou novas operações de crédito.
Recentemente, a empresa já contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões para honrar compromissos e aliviar a pressão sobre o caixa. Uma tentativa anterior de captar R$ 20 bilhões foi barrada pelo Tesouro, diante das altas taxas de juros propostas na operação.
O resultado das estatais reacende o debate sobre governança, sustentabilidade financeira e o papel dessas empresas na política econômica, especialmente em um cenário de busca por equilíbrio fiscal.
Enquanto o governo defende que os investimentos são necessários para impulsionar serviços públicos e infraestrutura, analistas alertam para o risco de deterioração das contas públicas caso o crescimento dos déficits não seja contido nos próximos anos.



