Em entrevista à Rádio Líder 99.9 FM, o delegado Nilson de Carvalho se pronunciou sobre o caso de agressão a um homem com esquizofrenia durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em Uruguaiana.
Exaltado, o delegado negou as acusações de violência policial, afirmando que os agentes agiram em legítima defesa após terem sido agredidos.Ele também rebateu as declarações de Carolina Schmidt, que denunciou o caso, e a acusou de ter mentido em seu relato.
Segundo o delegado, ela deve ser responsabilizada por abandono de incapaz, já que, no momento da operação, o homem estava acompanhado apenas da irmã, que apresenta sequelas de um AVC e possui dificuldades de fala e locomoção.
“Essa que se diz familiar dele não estava no local. Ela não viu nada para poder estar dizendo o que aconteceu. Ela chegou no local depois que a dinâmica toda havia acontecido”, afirmou Carvalho.
O delegado também refutou as alegações de erro no cumprimento do mandado, apontadas pela família da vítima.
De acordo com Carolina Schmidt, os policiais teriam informado que o alvo seria o apartamento 2 de um prédio na Rua XV de Novembro, nº 2689, onde residiria uma mulher identificada como Jéssica Franciane. No entanto, a busca ocorreu no apartamento 4, onde vivem Lauro Félix Grillo e sua irmã Mara Glai Félix Grillo, que não têm ligação com a investigação.
“Não há nenhum erro, nenhum equívoco, o mandado de busca foi no local correto. Era uma ordem judicial e o policial não pode descumprir uma ordem judicial”, declarou.Segundo Carvalho, ao chegarem ao local, os policiais pediram que o morador abrisse a porta, mas ele não atendeu.“
Ele ia para o interior do imóvel, saía e desaparecia da visão dos policiais e retornava. Nessa situação, poderia esse homem estar armado, poderia ir até o interior e pegar uma faca”, relatou.
O delegado acrescentou que o homem, de 1,90m e 130kg, começou a agredir os agentes com socos através da grade quando tentaram arrombar a porta. Diante da resistência, os policiais usaram spray de pimenta.
“Nunca houve disparo de arma de fogo ou balas de festim. Não houve. Essa pessoa que está falando isso é porque ela não estava lá e é por isso que ela está falando tanta asneira no rádio e é por isso que ela vai ser responsabilizada essas asneiras e essas mentiras”, declarou.
De acordo com Carvalho, após entrarem na residência, o homem continuou agredindo os policiais, inclusive ferindo um deles com um caco de vidro e atingindo uma policial mulher.
“Esse homem poderia ter matado esse policial”, afirmou o delegado.
Questionado sobre apreensões no local, ele destacou que a operação é de responsabilidade da Delegacia de Polícia de Bagé, razão pela qual não comentaria detalhes da investigação.
Ao encerrar a entrevista, Carvalho reiterou que o homem estava sozinho no momento da ação, reforçando a suspeita de abandono de incapaz, que deve ser investigada.
“Na verdade, tudo que aconteceu foi em razão da omissão e do abandono de incapaz”, concluiu.



