A pesca esportiva do peixe Dourado pode se tornar um motor econômico para municípios da faixa de fronteira do Rio Grande do Sul, às margens do Rio Uruguai, ajudando a reter a população do interior, que tem migrado para os grandes centros. A afirmação foi feita pelo deputado estadual Tiago Cadó (PDT) durante a instalação da frente parlamentar que defende a atividade na 48ª Expointer, em Esteio, nesta quarta-feira (3).
O ato foi promovido pelo deputado Alísio Classmann (União) e reuniu parlamentares, prefeitos e representantes da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura, órgãos ambientais e entidades do setor.
“O pescador está sendo taxado de criminoso, porque está pescando o Dourado. Isso é inadmissível. Eu tenho certeza que a angústia de muitos prefeitos é não poder desenvolver o município por meio da pesca”, afirmou Cadó.
Segundo ele, cidades fora dos grandes centros, com baixo nível de industrialização, precisam se reinventar por meio do turismo — a maior indústria do mundo — para evitar o esvaziamento da população.
O dourado é um peixe carnívoro, com coloração amarelo-ouro, que na região da fronteira entre Brasil e Argentina atinge, em média, de 5 a 10 kg.
A espécie é listada em um decreto estadual como ameaçada de extinção, o que exige a devolução imediata do peixe ao rio após a captura. A prática da pesca esportiva, portanto, deve ocorrer apenas para lazer ou pesquisa científica, sendo proibida a comercialização ou abate do animal, sob pena de caracterizar crime ambiental.
A legislação estadual e federal considera a captura ilegal potencialmente delituosa, e a fiscalização é rigorosa.
Apesar das restrições, a pesca esportiva tem se mostrado um vetor importante de turismo e geração de renda. Em Porto Xavier, município gaúcho de 9,9 mil habitantes, localizado na região das Missões, foram recebidos 5.370 turistas de pesca em 2023, com hospedagem média de três dias, segundo dados da prefeitura.
A atividade movimenta hotéis, pesqueiros e restaurantes, gerando empregos diretos e indiretos e mantendo recursos na economia local, conforme relato de Ovídio Kaiser, secretário de Desenvolvimento, Turismo e Mercosul de Porto Xavier.
Cadó alertou que grande parte do dinheiro gasto por gaúchos interessados na pesca do dourado acaba indo para Argentina e Paraguai, onde a atividade é mais liberada. “Esses valores poderiam girar em nossa economia. Precisamos fomentar o turismo e reverter a situação com urgência”, disse.
O evento contou ainda com a participação da diretora de Biodiversidade da Sema, Cátia Gonçalves; prefeitos da região; do chefe de divisão da Sema, Mateus Leal; do secretário-adjunto de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, Fernando Classmann; e de representantes da Fish TV.
Com informações da assessoria do Deputado Tiago Cadó e de reportagem da GZH de 2024, assinada por Carlos Rollsing.
Foto: Claudio Fachel / ALRS.



