O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) tornou-se o principal alvo de uma possível punição da Câmara dos Deputados após o tumulto que paralisou os trabalhos da Casa por mais de 30 horas nesta semana. Líderes do Centrão aconselharam o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a reagir com “firmeza exemplar” contra os parlamentares bolsonaristas que impediram sua entrada na cadeira da presidência na noite da última quarta-feira (6).
Embora outros quatro deputados também sejam alvo de pedidos de punição — Júlia Zanatta (PL-SC), Marcos Pollon (PL-MS), Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Zé Trovão (PL-SC) —, Van Hattem é considerado “a bola da vez” por ter se sentado deliberadamente no assento de Motta e se recusado a desocupá-lo, mesmo após a chegada do presidente ao plenário.
A avaliação no entorno da presidência é que uma suspensão de até seis meses do mandato do gaúcho enviaria um recado contundente contra futuras ações de obstrução regimental. O PT, PSB e PSOL já formalizaram pedido à Mesa Diretora para punir todos os envolvidos, mas, para aliados de Motta, Van Hattem merece tratamento prioritário por ter protagonizado a cena que simbolizou o bloqueio.
— Existem pedidos de lideranças para punir este ou aquele deputado. Estamos avaliando. É uma decisão conjunta da Mesa. Mas está, sim, em avaliação a possibilidade de punição a alguns parlamentares que se excederam — afirmou Motta ao portal Metrópoles, sem citar nomes.
Van Hattem reagiu nas redes sociais, acusando a base governista de “hipocrisia” e lembrando que, em 2017, um episódio semelhante não gerou sanções. Ele sustenta que sua ação foi pacífica e legítima como forma de protesto.
Apesar da defesa, esta é a primeira vez que um deputado ocupa fisicamente a cadeira da presidência e se recusa a deixá-la, o que reforça, entre aliados de Motta, a tese de punição severa — e coloca o gaúcho no centro de um processo que pode afastá-lo temporariamente do mandato.



