A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO-RJ) deflagrou, nesta quarta-feira (3), a Operação Bandeirante, que mirou lideranças do Comando Vermelho (CV) e o deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias (MDB).
Segundo as investigações, o parlamentar é suspeito de usar o mandato para intermediar negócios ilegais, incluindo a compra e venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinados ao Complexo do Alemão. Também foram identificadas movimentações financeiras suspeitas em empresas ligadas a ele, apontadas como indícios de lavagem de dinheiro.
A operação foi conduzida pela Polícia Federal, Polícia Civil do Rio de Janeiro e Ministério Público Estadual. TH Joias foi preso em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca.
Além do deputado, também foram presos:
Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, assessor nomeado por TH na Alerj;
Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, traficante ligado ao CV.
Outros chefes da facção também são alvos: Luciano Martiniano da Silva (Pezão), Edgar Alves de Andrade (Doca) e Manoel Cinquine Pereira (Paulista).
Quem é TH Joias
Nascido na Zona Norte do Rio, Thiego aprendeu o ofício de ourives com o pai, em uma joalheria de família em Madureira. O talento com peças personalizadas o projetou no cenário nacional: suas criações em ouro e diamantes foram usadas por jogadores como Neymar, Vini Jr. e Adriano Imperador, além da cantora Ludmilla. Foi daí que surgiu o apelido “TH Joias”, que se tornou sua marca registrada.
Antes de ingressar na política, também financiou iniciativas sociais voltadas ao esporte e à cultura em comunidades cariocas, apoiando atletas amadores, artistas em início de carreira e projetos comunitários.
Em 2022, recebeu 15.105 votos e conquistou uma cadeira na Alerj. No Legislativo, apresentou propostas nas áreas de educação infantil, ensino profissionalizante, saúde, empreendedorismo e inclusão social.
Denúncias da Promotoria
De acordo com o Ministério Público, o grupo mantinha vínculos estáveis com o Comando Vermelho, atuando nos Complexos da Maré, do Alemão e em Parada de Lucas. TH Joias teria usado o mandato para beneficiar a facção, inclusive nomeando comparsas para cargos públicos.
O assessor Dudu é apontado como responsável pelo fornecimento e testes de equipamentos antidrones, usados para dificultar ações policiais.
As investigações também revelaram alertas sucessivos de instituições financeiras sobre transações suspeitas ligadas às empresas do deputado, reforçando a suspeita de lavagem de dinheiro.
Repercussão
O secretário de Polícia Civil do Rio, delegado Felipe Curi, declarou:
“Estamos diante de uma investigação que comprova a infiltração direta do crime organizado dentro do parlamento fluminense. O deputado eleito para representar a sociedade colocou seu mandato a serviço da maior facção criminosa do Rio de Janeiro.”



