A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no trimestre encerrado em outubro, o menor nível desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (28) pelo IBGE, apontam um recuo superior ao previsto pelo mercado financeiro, que esperava 5,5%. A queda representa melhora nas duas bases de comparação: 0,2 ponto percentual a menos que o trimestre imediatamente anterior e 0,7 ponto em relação ao mesmo período de 2024.
O número total de pessoas desocupadas também chegou ao menor patamar já registrado, com 5,9 milhões de brasileiros procurando emprego — uma queda de 3,4% no trimestre e de expressivos 11,8% em um ano. Mesmo com a taxa básica de juros permanecendo em 15% ao ano, a renda real habitual manteve trajetória de resiliência, alcançando R$ 3.528, enquanto a massa salarial atingiu R$ 357,3 bilhões, um recorde histórico.
Reflexos em São Borja: emprego formal fecha outubro em alta
Em São Borja, os dados do Novo Caged acompanham o movimento nacional de melhora gradual no mercado de trabalho, embora com particularidades setoriais. No consolidado de outubro, o município registrou 451 admissões e 398 desligamentos, resultando em saldo positivo de 53 vagas formais e um estoque total de 11.523 trabalhadores com carteira assinada.
A evolução mensal mostra oscilações ao longo do ano, mas o saldo positivo de outubro reforça uma recuperação após dois meses de queda — inclusive um tombo significativo de -239 vagas em maio, o pior desempenho local do ano. No comparativo mais recente, São Borja volta ao terreno positivo, ainda que de forma moderada.
Queda na construção e estabilidade no comércio
Entre os setores avaliados, a construção civil apresentou desempenho negativo no mês. O setor registrou 27 admissões e 46 desligamentos, fechando outubro com saldo de -19 postos e estoque de 548 empregos formais.
O comércio, por outro lado, impulsionou o resultado geral do município. Em outubro, o setor anotou 186 contratações contra 155 desligamentos, gerando saldo de 31 empregos. O estoque do setor chegou a 3.586 trabalhadores, consolidando-se como uma das áreas mais dinâmicas da economia local. A movimentação indica a preparação gradual para o período de fim de ano, quando cresce a demanda por mão de obra temporária.
Panorama local acompanha tendência, mas ainda com desafios setoriais
A melhora do mercado de trabalho brasileiro encontra eco em São Borja, que mantém o saldo positivo após a queda significativa registrada em maio. Porém, a recuperação não é homogênea: enquanto o comércio mostra vigor e contribui para a geração de vagas, a construção civil segue enfrentando retração.
A manutenção da taxa nacional de desemprego em níveis historicamente baixos tende a favorecer a confiança econômica e, por consequência, a movimentação no mercado formal. Para São Borja, os próximos meses devem indicar se a retomada observada em outubro é sustentada ou se a oscilação recente ainda prevalecerá sobre o desempenho final do ano.



