O Brasil registrou, no trimestre encerrado em julho, a menor taxa de desemprego desde o início da série histórica do IBGE, em 2012. A desocupação recuou para 5,6%, frente a 6,6% no trimestre anterior e 6,9% no mesmo período de 2024, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta terça-feira (16).
O número de desempregados caiu para 6,11 milhões de pessoas, menor patamar desde 2013. Em contrapartida, a população ocupada bateu recorde e chegou a 102,4 milhões, impulsionada sobretudo pelo aumento de trabalhadores com carteira assinada, que somaram 39,1 milhões.
Segundo o IBGE, setores como administração pública, saúde, educação e serviços sociais foram os que mais contrataram no período.
Além da queda no desemprego, a taxa composta de subutilização da força de trabalho também registrou o menor nível da série, em 14,1%. Já a população desalentada recuou para 2,7 milhões de pessoas, uma redução de 15% em relação ao ano passado.
A informalidade representou 37,8% dos ocupados, levemente abaixo do índice de 2024, mas em números absolutos o país registrou 38,8 milhões de trabalhadores nessa condição. O trabalho por conta própria também atingiu o maior nível já observado, com 25,9 milhões de pessoas.
O rendimento médio mensal subiu para R$ 3.484, avanço de 1,3% frente ao trimestre anterior e de 3,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Já a massa de rendimentos alcançou R$ 352,3 bilhões, outro recorde da série.
Para o analista do IBGE, William Kratochwill, os dados confirmam que “quem saiu da desocupação não está abandonando a força de trabalho nem entrando no desalento, mas sim se inserindo de fato no mercado”.
O desempenho do mercado de trabalho ocorre em meio à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve manter a taxa Selic em 15%. Para especialistas, a expansão da massa salarial e o aumento do emprego ajudam a sustentar o consumo e conter a inflação de serviços.
Apesar da mínima histórica, economistas avaliam que o ritmo de geração de postos formais pode estar se aproximando da estabilidade, mas ainda reforçam o quadro de resiliência e dinamismo do mercado de trabalho brasileiro.



