Os países da União Europeia aprovaram provisoriamente nesta sexta-feira (9) o acordo comercial com o Mercosul, encerrando mais de 25 anos de negociações. A decisão ainda depende de formalizações por escrito, mas já permite que o tratado seja assinado oficialmente nos próximos dias. O acordo pode criar a maior área de livre comércio do mundo.
Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado representa um avanço estratégico. O país passa a ter acesso ampliado a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores, com redução ou eliminação gradual de tarifas sobre produtos agrícolas e industriais. Segundo a Comissão Europeia, cerca de 91% das mercadorias comercializadas entre os blocos terão tarifas eliminadas ao longo do tempo.
Hoje, produtos brasileiros enfrentam barreiras elevadas no mercado europeu, enquanto bens industriais da UE entram no Mercosul com tarifas que chegam a 35%. O acordo busca corrigir essas distorções e reduzir também entraves burocráticos e técnicos.
Especialistas avaliam que o Brasil tende a ser um dos maiores beneficiados, sobretudo no agronegócio. Em 2025, as exportações agropecuárias brasileiras para a União Europeia somaram US$ 22,89 bilhões, com destaque para café, soja, carnes, celulose e suco de laranja. O tratado prevê vantagens adicionais para carnes, açúcar, etanol e produtos florestais, ampliando a competitividade brasileira em um mercado de alto poder aquisitivo.
O acordo também tem potencial de impacto positivo para a indústria brasileira, ao facilitar o acesso ao mercado europeu e estimular investimentos em setores como autopeças, máquinas, químicos e bens manufaturados. A previsibilidade das regras comerciais é apontada como um dos principais ganhos para o ambiente de negócios.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a aprovação como um marco histórico. “Depois de 25 anos, foi aprovado um dos maiores acordos de livre comércio do mundo”, afirmou. Para Lula, o tratado é uma resposta ao avanço do protecionismo global e “uma vitória do diálogo e da cooperação”. O presidente destacou ainda que o acordo “amplia as alternativas para exportações brasileiras” e cria um ambiente mais favorável a investimentos produtivos.
No cenário internacional, o tratado fortalece o papel do Brasil e do Mercosul em um momento de tensões comerciais globais. Para a União Europeia, o acordo contribui para reduzir dependências estratégicas e diversificar parceiros, enquanto para o Brasil amplia sua relevância econômica e diplomática.
Com informações do G1 e Infomoney.



